CRÔNICA: MINAS GERAIS

Samanta Aquino

Morei em Mariana por meses a fio. Eu tinha muitos sonhos, porém a vida os moeu mais do que grão de café. Em Mariana, eu queria plantar meu coração, fazer a vida andar solta, sem medo. Eu queria campear nas Gerais, ao vento, com liberdade nos olhos.

Porém a vida é doida, sô. Eu tinha me iludido demais, idealizado demais. Só que eu descobri que sonho bão, pode até morrer; pode não sobrar nem o pó depois de moído, mas, é como aquela música diz: ele vai ressuscitar nalgum lugar. 

Eita, trem danado!

Veja, pensei que não havia mais solução para tamanha desilusão. Agora, o vento que corre do divino, passa pela teia tramada pelas andorinhas e pousa no colo das roseiras, trouxe-me para um lugar sublime: onde Deus costura a vida, e a vida costura as horas… Aqui, reina o tempo da delicadeza. Assim apresento, São João Del-Rei.

Se eu escolhi estar aqui? Imagina!

Espera… Só pro vento que contei – eita trem fofoqueiro, sô! 

Jamais pensei que Mariana me faria tamanho pouco caso, já outras terras, me abraçariam sem sequer as ter conquistado.

Cheguei aqui, com passos calmos, mas com o coração rasgado.

E como foi bão, sô!

Aqui tem trem que é trem mesmo! A Maria Fumaça me lembra a infância, quando sempre tinha alguém para falar dela. E eu nunca pensei que aqui eu estaria, para vê-la tão de perto.

Descobri nessas bandas de cá, que a vida é uma beleza singela: nada de espanto.

Amo a calmaria e o aconchego de São João del-Rei. Como assim não tem nada disso aqui?

Vocês já viram o rabo de foguete que é estar em BH?

Deus o livre!


Imagem de destaque: arquivo pessoal

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