CRÔNICA: O DOCE CHEIRO DA CASA DA VOVÓ

Suzana Andrade

Era um sábado ensolarado quando Ester, com seus 8 anos, acordou mais cedo do que de costume. A grande expectativa de passar o dia na casa da vovó fazia seu coração bater muito mais forte, como se estivesse prestes a viver uma grande aventura. Ester amava aquelas visitas, não só pelas guloseimas e pelo carinho, mas pelo encanto que a casa de sua avó emanava.

Ao chegar, a pequena menina foi recebida com um forte abraço caloroso e aquele inconfundível cheiro de bolo de chocolate saindo do forno. A casa da vovó era um mundo mágico, onde cada cômodo guardava segredos e histórias. Ester correu logo para a cozinha, onde sua avó, com seu avental todo florido, mexia a massa do bolo com movimentos delicados e precisos.

“Vovó, posso te ajudar?”, perguntou Ester, já com as mangas dobradas e as mãozinhas estendidas.

A avó sorriu, a entregou uma colher de pau e disse: “Claro, minha querida! Nós vamos fazer esse bolo juntas!”

Aquela manhã passou bem rápida, entre risos e farinha espalhada pela mesa. O bolo assou, e logo o aroma doce invadiu a casa inteira. Ester mal podia esperar para provar aquele bolo delicioso que ajudou a preparar. Mas, antes disso, a avó propôs um passeio pelo quintal, onde flores coloridas e frutas frescas compunham um cenário encantador.

No pomar, Ester descobriu que as árvores frutíferas não só davam frutos, mas também histórias. Cada árvore tinha um nome e uma lembrança associada. O limoeiro, por exemplo, foi plantado quando Ester nasceu. A jabuticabeira era a preferida da avó pois a fazia lembrar dos olhinhos redondinhos e amarronzados de sua neta. A menina ouvia atenta, os olhos brilhando de curiosidade.

Após o passeio, voltaram para a casa. O bolo enfim estava pronto, e a avó preparou uma mesa especial na varanda, com toalha de renda e xícaras azuis de porcelana, as preferidas de sua neta. Ester se sentia uma princesa em seu banquete. Elas comeram o bolo com suco de frutas do quintal, e a avó contou histórias de outros tempos, quando ela mesma era ainda apenas uma menina cheia de sonhos.

A tarde foi dedicada a uma atividade que Ester adorava: costurar com a avó. As duas se sentaram na sala de costura, entre tecidos coloridos e linhas de todas as cores. Ester escolheu um retalho azul e começou a fazer a sua primeira mini roupinha para a sua boneca. Com paciência, a avó ensinava cada ponto, e a menina seguia, orgulhosa de sua criação.

Quando o sol começou a se pôr, Ester sabia que a hora de ir embora se aproximava. Sentia uma mistura de tristeza e gratidão. Despediu-se da vovó com um abraço apertado, prometendo voltar em breve. No caminho de volta, com a mãe ao volante, Ester adormeceu no banco de trás, um sorriso sereno nos lábios.

Aquele dia na casa da avó ficaria gravado para sempre em sua memória, como um tesouro precioso. E, sempre que sentisse o cheiro de bolo de chocolate ou tocasse em um tecido macio, lembraria com carinho daquele sábado mágico, onde o amor e as histórias antigas se entrelaçaram, tecendo uma lembrança eterna.


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