CRÔNICA: MINHA PRIMEIRA FLOR

Magno Jr.

Quarta feira nunca foi o melhor dia para nos encontrarmos, eu chegando do trabalho e você vindo para a faculdade: hoje as aulas teriam de esperar. A ideia de um jantar à luz de velas foi substituída pela simplicidade acolhedora de uma pequena pastelaria no centro da cidade, já que não importava o quanto eu planejasse algo complexo: a sua simplicidade sempre me vencia.

Naquela noite, a pequena lanchonete se iluminava com uma luz suave e dourada. Os risos ecoavam pelas paredes antigas, mas para mim, o mundo se reduzia àquela mesa, àquela companhia. Você, sentada à minha frente, eu tentava impressioná-la com histórias que você achava incríveis, mas, na verdade, era eu quem estava impressionado.

A gente se perde quando tá com a pessoa certa, né?

Tudo parecia tão simples enquanto estávamos juntos, seu sorriso doce e palavras que mais pareciam sussurros de poesia, transformava cada segundo em eternidade. Era a primeira vez que nossos mundos se cruzavam assim. Pedimos dois pastéis e claro que eu te acompanhei no pedido, em meios a sorrisos e risos, observei suas mãos delicadas alcançarem um guardanapo de papel.

Suas mãos pequenas começaram a dobrar e moldar o papel com cuidado, quase como se estivesse realizando um ritual sagrado. As dobras eram precisas, feitas com carinho e dedicação, enquanto seu coração batia acelerado, ou era o meu?

E então, você me entregou uma flor. Uma pequena rosa de papel, feita com o guardanapo da lanchonete. Nunca havia ganhado uma antes.

Meu coração, que já batia acelerado, pareceu parar por um instante. Peguei a flor com mil sentimentos a flor da pele, ate sentir a sua, “Para você,” disse, com um sorriso que iluminava o ambiente mais do que qualquer sol.

Não parava de admirar a flor: como aquela rosa podia ter mudado tudo naquele instante. Queria um dente de leão, para desejar aquele momento para sempre, te desejar pra sempre.

Com o tempo suas pétalas não caíram, ela não murchou e continua em pé. Já fazem alguns anos? O tempo se perde conforme ele passa.

Guardei a rosa como uma lembrança, de um momento que eu espero viver de novo, talvez em outros papéis. Tivemos um infinito só nosso, ainda que breve, as lembranças permanecem, imortalizadas em gestos simples e significativos, como uma rosa, feita de papel.


Imagem de destaque: arquivo pessoal

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