CRÔNICA: IRMÃOS

Maria Luiza Dias Meireles De Paiva

Quando somos crianças, tudo é diferente. Achamos que nossos pais são perfeitos, que avós são eternos, que as brincadeiras na rua nunca irão acabar e que irmãos são insuportáveis. E um dia, a infância passa, as manhãs assistindo Looney Tunes se transformam  em responsabilidades, os avós se vão e os irmãos viram nossos melhores amigos, crescendo do nosso lado.

Mas chega o dia que até eles precisam ir embora, o “sai do meu quarto” vira “quando você volta?”, não acredito que você não vai mais estar no quarto ao lado, me pedindo para fazer um lanche para você com aquela sua cara de cachorro abandonado, não vai mais passar o dia me irritando e só sobraram as memórias, como nossas brincadeiras de Masterchef, e o dia em que você me ensinou a jogar Yu-Gi-Oh, mesmo odiando os seus desenhos de Yu-Gi-Oh que eram a causa da nossa guerra pelo controle remoto, essa memória é uma das minhas favoritas sobre você.

E de repente as brigas bobas se transformaram em conversas na madrugada e risadas altas, e os irmãos se tornam a pessoa que está a uma ligação de distância, o seu ombro amigo e o seu consolo para dias tristes, com piadas idiotas que sempre arrancam uma risada no meio do choro e abraços que dizem mais que mil palavras.

Quando você menos espera a irritação pelos irmãos se torna saudade.


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