Judit Barros de Orleans Amaral
A melodia da saudade ecoa em meu peito, uma sinfonia nostálgica que toca as cordas da alma com notas de distância . A cada acorde, a lembrança dos rostos familiares, dos sorrisos cúmplices e dos abraços calorosos se tornam mais vívidas, aguçando a dor da ausência.
A geografia implacável nos separou, erguendo barreiras de quilômetros entre mim e meu porto seguro, meu refúgio afetivo. As videochamadas, pontes frágeis sobre o abismo da distância, servem como paliativos momentâneos, mas não conseguem suprir a fome de contato físico, do calor humano que aquece a alma.
As datas festivas se transformam em campos minados de nostalgia, onde cada comemoração é um lembrete cruel da cadeira vazia à mesa, da gargalhada que falta na sala de estar. A alegria se mistura com a tristeza, criando um sabor agridoce que me acompanha como um fantasma.
No entanto, a distância não define nossa relação. A família é um universo particular, um conjunto de almas entrelaçadas por laços invisíveis que transcendem o tempo e o espaço. A saudade, por mais dolorosa que seja, é a prova tangível do amor que nos une, um amor que desafia as leis da física e da lógica.
Em meio à sinfonia da saudade, busco refúgio nas pequenas lembranças, nos momentos preciosos que ficaram gravados na memória como fotografias da alma. Relembro as conversas banais, as brigas bobas, os abraços apertados, e encontro conforto na certeza de que, apesar da distância, somos um só.
A saudade me ensina a valorizar cada instante vivido com a família, a transformar cada encontro em um evento memorável. Ela me impulsiona a criar novas formas de conexão, a manter a chama do amor viva através de mensagens, ligações e videochamadas.
A distância pode ser um obstáculo, mas jamais será um impedimento para o amor que nos une.
A cada dia, componho uma nova melodia na sinfonia da saudade, uma canção que celebra a força dos laços familiares e a esperança do reencontro.
Pois sei que, um dia, a sinfonia da saudade dará lugar à sinfonia da alegria, quando finalmente estivermos juntos novamente, tecendo novas memórias e escrevendo novos capítulos da nossa história familiar.
Todos os textos opinativos publicados no portal Notícias del-Rei são identificados como tal – não refletindo, necessariamente, a opinião editorial do coletivo.
