CRÔNICA: O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS

Otávio Rezende

Certo dia fui à padaria tomar um café e mais uma vez observei uma cena muito recorrente nos últimos anos. Dois amigos discutiam sobre dois jogadores que cada um considerava melhor, eles sempre discordam um do outro e queriam provar que o “seu” jogador era melhor que o do amigo. Como um bom fã de futebol, não pude deixar de escutar algumas partes da conversa dos dois.

– Eu prefiro ele porque é mais artilheiro que o seu, tem muito mais gols ao longo da carreira.

– Nem só de gols se trata o futebol, meu jogador é muito mais mágico. Dá dribles, assistências e gols. É um talento de outro planeta.

 – Mas o seu jogador nasceu com esse talento, o meu adquiriu com o tempo. É resultado de esforço e dedicação, o seu só nasceu com isso e usou a seu favor.

 – A maioria dos melhores jogadores do mundo prefere o meu jogador, com a bola ninguém nunca fez o que ele faz.

 – A maioria desses jogadores perdeu pro meu, ele é uma máquina de empilhar títulos. Tem muito mais que o seu.

 – O seu pode ter mais títulos, mas o meu revolucionou o futebol da nossa época, é uma figura muito mais importante para a história do futebol. Como personagem, o meu tem muito mais relevância e fãs que o seu.

Depois de escutar certa parte da conversa, meu café ficou pronto e fui me sentar para ler o jornal. Infelizmente não tinha um lugar perto daqueles dois amigos para continuar escutando o que eles tinham a dizer. O que mais me interessou na conversa deles é que desde o início do futebol, essa discussão existiu, e ela vai existir até o fim do esporte (se é que vai ter fim).

O futebol é atemporal e suas discussões também.

Sempre vão existir as discussões de qual time tem o elenco melhor, qual treinador usa a melhor tática e claro, quem é o melhor jogador da história. Fato é que as discussões no futebol nunca se repetem, na verdade elas se transformam em comparações cada vez melhores, unindo elementos do presente, passado e futuro (cada vez mais longínquo) do esporte que tanto amamos.

Juntamente com seu café acompanhado de um jornal, meu avô escutou essa conversa com os ídolos de um passado distante (os quais eu não tive o privilégio de ver jogar), meu pai escutou essa conversa com os gênios de um passado mais próximo de mim, que eu vi jogar apenas no final de suas carreiras e meu filho (já provavelmente não mais acompanhado de um jornal) escutará essa conversa sobre as jovens promessas de hoje que se futuramente se tornarão lendas do esporte.

Mas afinal de contas, de quem aqueles dois amigos estavam falando? Eu sei, você, caro leitor, também sabe, meu avô sabia e meu filho vai saber. Tudo depende de qual tempo do futebol estamos falando, e a graça de tudo é que todos os “tempos” do futebol podem estar inseridos nessa discussão.

Relembrar o passado é vislumbrar um futuro brilhante, que logo menos se tornará um presente magnifico.

Só nos resta aproveitar e, quem sabe, discutir.


Imagem de destaque: reprodução / Freepik

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