Lara Reis, Maria Eduarda Almeida,
Nathália Ferreira e Nicole Guedes
De acordo com a Confederação Brasileira de Tênis (CBT), o número de praticantes de beach tennis quase triplicou nos últimos anos, passando de 400 mil em 2021 para 1,1 milhão em 2023. Em São João del-Rei, essa tendência se reflete no aumento de quadras e professores, levando a uma maior procura por essa modalidade. Combinando lazer, saúde, bem-estar, socialização e tempo ao ar livre, o beach tennis tem se tornado popular e amado por muitos.
Essa popularidade crescente não é apenas pelos benefícios sociais e de bem-estar, mas também pela intensidade física que o beach tennis proporciona. Jogar na areia é um desafio adicional que exige mais dos músculos, proporcionando um excelente treino cardiovascular e de resistência. A superfície instável da areia obriga os jogadores a usarem mais força e equilíbrio, aumentando a dificuldade e, consequentemente, os benefícios do exercício.
Uma onda crescente no Brasil e em terras mineiras
O beach tennis é um esporte que tem conquistado cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. Surgido nas praias italianas em 1970, a modalidade ganhou força e popularidade em diferentes partes do globo, chegando ao país e conquistando os brasileiros.
Segundo a Federação Italiana de Tênis (ITF), a história do beach tennis tem início nas praias de Ravenna, na Itália, onde jogadores de tênis adaptaram suas habilidades para a areia. A novidade logo se espalhou pela Europa e, no século 21, cruzou o continente.
No Brasil, o esporte começou a ganhar popularidade nos primeiros anos do novo milênio, especialmente na movimentada cidade de São Paulo. Desse modo, campos dedicados ao beach tennis começaram a ser criados, ocupando não somente cidades litorâneas, mas também regiões distantes do mar.

Segundo o treinador Wagner Fidelis, o período pós-pandemia marcou um momento de ascensão para o esporte no Brasil. Ele destaca o caráter democrático e social do beach tennis como fatores chave para seu crescimento.
“É um jogo muito fácil de se aprender e é um um esporte bem democrático. Então o material é barato, você consegue jogar em qualquer lugar e tem uma socialização muito grande. Ele consegue atrair a família inteira, é bem inclusivo”, explica.
Para o treinador, o beach tennis está vivendo um momento de ascensão em Minas Gerais. Ele ressalta que o esporte tem ganhado destaque no estado, com jogadores talentosos despontando no cenário profissional. No entanto, em sua percepção, a modalidade ainda não é tão popular entre os jovens mineiros.
Em suas palavras, “a prática desse esporte tem que ser incentivada por empresas e pelo governo, visto que são inúmeros os benefícios, tanto pro atleta profissional quanto pro desenvolvimento humano”.
Com um olhar otimista para o futuro, Wagner acredita que o beach tennis está apenas começando sua trajetória no estado. “Eu acho que Minas tem um grande diferencial que é ter bons jogadores e entusiastas do esporte e tenho certeza que isso vai ficar cada vez mais acessível a todos”, acrescenta.
Ele ressalta que o esporte ainda não atingiu seu auge, todavia, afirma que há uma tendência crescente, com oportunidades em diversos setores. Como apontado pelo professor, a prática do esporte tem se tornado uma fonte de renda para muitas famílias, com um grande número de pessoas dando aula de beach tennis.
Além disso, as arenas e o cenário esportivo de competição também estão em expansão, com cada vez mais torneios sendo realizados.
“O Brasil tem todo o potencial porque a gente tem o verão o ano inteiro aqui, temos um clima propício para a prática do esporte e eu vejo um crescimento infinito pro esporte”, destaca com otimismo.
Um novo estilo de vida
Fernanda Boldrin tem 24 anos e conta que começou no esporte há um ano, quando seus amigos jogavam e ela resolveu conhecer fazendo uma aula experimental. Foi amor à primeira vista: se apaixonou pelo esporte e passou a praticá-lo duas vezes por semana.
Ela acredita que o maior desafio do beach tennis é o valor: “É um esporte relativamente caro, que requer um certo investimento”, Fernanda afirma. No entanto, os benefícios são muitos. Para ela, o esporte é prático e divertido, e a possibilita socializar com os amigos, conhecer novas pessoas e passar mais tempo ao ar livre.
João Vitor Roque também tem 24 anos e conheceu o beach tennis através de amigos que já jogavam. Atualmente, ele pratica o esporte uma vez por semana. Seu maior desafio foi encontrar pessoas para jogar, uma vez que são necessárias no mínimo quatro pessoas para que um jogo aconteça.
Em relação aos benefícios, ele cita a socialização com pessoas que gosta, enquanto pratica uma atividade física e movimenta seu corpo.

Andressa Almeida, 42 anos, começou a se interessar pelo beach tennis quando a pandemia começou a ter flexibilizações. Ela conta que ainda não se sentia segura para fazer atividade física em ambientes fechados, por isso essa modalidade lhe chamou atenção.
Além disso, o esporte é praticado em um grupo pequeno de pessoas, de quatro a seis, e sem contato físico com outros alunos. Atualmente, ela joga beach tennis de três a quatro vezes por semana.

Segundo Andressa, quanto mais você se desafia a jogar com pessoas de níveis mais altos, mais motivado você fica para treinar mais. Para ela, o beach tennis é um esporte divertido: “eu jogava por horas sem nem sentir”, ela afirma. Ela conta que, ao começar a praticar essa atividade física, teve uma grande melhora no seu condicionamento físico, perdeu gordura e fez amigos que sempre se reúnem para jogar.
A trajetória de um treinador
Com uma trajetória repleta de dedicação e paixão pelo beach tennis, o treinador Wagner Fidelis tem se destacado como referência no meio. Pós-graduado em educação física, ele atua há 14 anos na área e é fundador de uma escola de beach tennis no Rio de Janeiro. Em meio a suas viagens pelo Brasil, ministrando aulas, recentemente, esteve na “Cidade dos Sinos”, o município de João del-Rei, onde deu uma clínica na Arena La Praia.
Antes de mergulhar no universo do tênis de praia, Wagner era professor de tênis tradicional. No entanto, um revés em novembro de 2009 o fez perder a quadra onde lecionava, levando-o a buscar novas oportunidades. Foi então que o beach tennis surgiu como uma alternativa promissora, inaugurando uma nova fase em sua carreira.

Para se aperfeiçoar como treinador em sua nova jornada, ele investiu diversos cursos no Brasil e no exterior para entender as bases da modalidade. “Busquei cada vez mais me aperfeiçoar, associado ao conhecimento que eu já tinha do tênis e o conhecimento acadêmico que é fundamental pra gente ministrar bons treinos. Como era um esporte novo, eu me dediquei fazendo cursos e procurando informações. Tive que ir na origem do esporte, que é na Itália, para adquirir esse conhecimento”, comenta.
Com determinação, Wagner convidou seus antigos alunos de tênis para ingressar na modalidade e, ao longo do tempo, seu trabalho foi sendo reconhecido e se consolidou.
“Hoje em dia eu tenho o meu próprio curso e a minha própria metodologia. Aí eu me tornei uma referência no esporte como treinador por essa base de estudos”, aponta.
Apesar de priorizar o trabalho como treinador, o profissional também participa de competições, colecionando algumas vitórias. Sua última competição foi no interior de São Paulo, em Lorena, onde jogou com seu pupilo e alcançou o título de “campeão” na categoria avançada. Em suas palavras, atuar como jogador é uma ótima maneira de lapidar sua compreensão sobre o esporte, dentro e fora de quadra.
Quando questionado sobre os desafios enfrentados em sua carreira, Wagner cita a burocracia, a falta de apoio das autoridades e a competição por espaço. No entanto, afirma enxergar esses obstáculos como combustível para continuar avançando.
O professor orgulha-se especialmente de ter treinado atletas de sucesso, como Vinicius Fonte, o primeiro não italiano a alcançar o topo do ranking mundial de beach tennis. Além dos troféus e conquistas individuais, ele destaca os relacionamentos amorosos e empreendimentos que surgiram a partir de suas aulas.
Com grande admiração, ele tece elogios a seus alunos novatos e menciona a satisfação de ajudar essas pessoas a descobrir e se inserir no mundo do esporte, mudando suas vidas para melhor.
Para Wagner, o tênis é muito além do esporte, “As pessoas estão ali em busca de melhorar fisicamente e até psicologicamente, porque às vezes você está com algum problema pessoal e acaba, através do esporte, encontrando uma família, um suporte”.
Nos dias 13 e 14 de julho, Wagner foi convidado por um dos proprietários da “Arena La Praia” de São João del-Rei para ministrar aulas no espaço. Encantado com a cidade, o professor compartilhou sua experiência positiva e destacou a oportunidade de estar contribuindo para o crescimento do beach tennis.
“Foi uma experiência muito bacana e os jogadores me receberam muito bem. É motivo de muito orgulho estar nesses lugares, fazendo novas amizades e, como o beach tennis está crescendo, com certeza eu voltarei mais vezes aqui”, comenta.
Beach tennis como competição
Além de hobby, o beach tennis também tem se tornado uma válvula de escape e uma fonte de saúde para muitas pessoas. Uma dessas praticantes é Adriane Carvalho, cirurgiã-dentista, que compartilhou que se encantou com a dinâmica do jogo na areia. “O que me motivou é que sempre gostei de praticar esporte e estava em busca de um esporte novo como hobby”, ela explica.
Atualmente, Adriane treina três vezes por semana, mantendo uma rotina que lhe permite competir em cerca de oito torneios por ano. Para se preparar para esses eventos, ela adota uma rotina específica que inclui dormir mais cedo na noite anterior, uma alimentação balanceada e treinos específicos ao longo da semana. Segundo ela, essa preparação é essencial para manter o foco e a energia nas competições.

Lidar com a pressão e o nervosismo é um desafio comum entre os atletas, e Adriane não é exceção. “Durante as partidas, eu me concentro totalmente no jogo para não deixar o nervosismo falar mais alto”, conta. “Antes das partidas eu ainda fico muito nervosa, mas tento me distrair com outras coisas.” Essa estratégia tem sido eficaz para ajudá-la a manter a calma e o desempenho durante os jogos.
Os benefícios do beach tennis para Adriane vão além da competição. Ela destaca a importância do esporte para sua saúde e bem-estar, considerando-o uma válvula de escape para desestressar. Seus objetivos futuros incluem melhorar continuamente suas habilidades e conquistar vitórias nos torneios.
Outra cirurgiã-dentista, Rafaela Brás, também encontrou no esporte uma paixão. “Descobri o beach tennis vendo alguns conhecidos postando nas redes sociais”, diz Rafaela, que treina de três a quatro vezes por semana e participa de cerca de sete torneios por ano.
Para Rafaela, a preparação para os torneios envolve aumentar a quantidade de treinos nas semanas anteriores, além de uma alimentação mais rica em carboidratos no dia do evento e uma boa noite de descanso. “Geralmente o nervosismo maior é antes de iniciar os jogos, mas durante a partida consigo me manter concentrada”, conta.
Os benefícios do beach tennis para Rafaela são notáveis. “Tive uma melhora no condicionamento físico, emagreci 15 kg, aumentou meu círculo de amizades e agora tenho uma vida muito mais saudável”, relata.
As duas, que participam de torneios juntas, são exemplos de como o beach tennis pode transformar vidas, ajudando a manter a atividade física, a lidar com o estresse e a buscar novos desafios.
“Casa da Serra”, clube de beach tennis
Kamila Mendes é advogada, empreendedora e proprietária da “Casa da Serra”, um clube de beach tennis que fica em Tiradentes.
Foi criado em agosto de 2022, em uma época que o esporte não era tão conhecido na região, a empreendedora conta que por isso resolveu aproveitar a oportunidade e montar as quadras em Tiradentes, já que ainda não existiam.
Todos os meses o espaço recebe eventos competitivos, alguns voltados para o público de fora, mas a maioria são direcionadas ao público de São João, Tiradentes e região.
Kamila afirma que seu trabalho gira em torno da educação e do bem-estar, “Nosso foco sempre foi na promoção da saúde e nos aspectos que o esporte pode ensinar aos alunos e praticantes”.
Ao ser questionada sobre a diferença dessa modalidade para o tênis tradicional, ela explica que o beach tennis é um esporte mais interativo, inclusivo, comunicativo, divertido e também exerce menos impacto físico nos joelhos e braços.
Além disso, o custo de prática é bem mais em conta e a execução do esporte já se dá na primeira semana de treino, diferente do tênis, que exige muito mais tempo praticando para poder jogar com uma qualidade razoável.
A empresária destaca a acessibilidade do esporte, principalmente para as mulheres. A interação entre jogadores masculinos e femininos no mesmo jogo é facilitada, já que a modalidade de duplas mistas oferece uma oportunidade de grande interação e sinergia entre casais, famílias e amigos, o que não acontece na maioria dos esportes quando o gênero entra em discussão.
Mesmo com a ascensão da prática e a popularidade que vem conquistando, Kamila acredita que esse esporte ainda não atingiu o auge e é necessária a atenção da mídia para crescer ainda mais. “Ainda há muito espaço para o beach (tennis) crescer na região. Do início de nossas quadras até hoje, o número de praticantes cresceu muito, mas ainda há espaço para mais”, ela conclui.
Benefícios para a saúde
Além de ser uma atividade recreativa, a prática regular traz inúmeros benefícios à saúde, sendo uma ótima opção para jovens quanto para idosos.
Arilson Campos, técnico em enfermagem, destaca a abrangência dos benefícios desse esporte relatando que “ele fortalece o músculo esquelético e o coração, além de auxiliar na hidratação articular, o que traz mais longevidade. Também ajuda no controle hormonal de doenças como diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS)”, conta o profissional.
Anida Mendes, especialista em educação física e personal trainer, explica que “o exercício físico resistido ajuda a diminuir o avanço da sarcopenia, que é a perda de massa magra. Atividades físicas como o beach tennis reduzem o risco de doenças cardiovasculares, proporcionando benefícios tanto no sistema cardiovascular quanto na composição corporal, auxiliando na redução da gordura corporal, um fator de risco para diversas doenças”.
Além disso, a atividade física regular é essencial para o fortalecimento dos músculos e articulações. Anida destaca: “Um corpo forte sobrecarrega menos as articulações durante as atividades diárias, prevenindo lesões e aumentando a mobilidade”.
A prática do beach tennis também está associada à regulação hormonal, promovendo a liberação de hormônios como dopamina, serotonina e adrenalina, que estão diretamente ligados à melhora da saúde mental.
Anida conclui fazendo um comparativo interessante: “A sensação de bem-estar proporcionada pela atividade física pode ser comparada ao prazer instantâneo dos vídeos curtos das redes sociais.
Esses vídeos liberam dopamina, assim como a atividade física. Por isso, muitas pessoas acabam se ‘viciando’ na prática esportiva, pois percebem a diferença entre uma vida com e sem atividade física para a saúde mental”, finaliza.
A versatilidade do esporte
O beach tennis, assim como qualquer esporte, promove a saúde física e mental dos praticantes. Mas indo além, o diferencial da prática são as quadras de areia que podem ser encontradas em qualquer lugar, mesmo no interior de Minas Gerais. Hoje, o beach tennis não se resume apenas no litoral, o que facilita a adesão dos interessados e o crescimento da visibilidade do esporte.
Para quem tem interesse em começar a jogar, Kamila sugere que o atleta foque bastante no conhecimento dos golpes básicos e estude sobre estratégias de jogo, sempre atento às novidades. Além disso, é importante buscar um profissional adequado e saber respeitar seus limites.
Imagem de destaque: Matheus Duzzi
Edição: Arthur Raposo Gomes
