CRÔNICA: LAÇOS

Bianka Monteiro

Em uma tarde de verão, uma manhã na escola ou até mesmo em um carnaval de rua na cidade pequena, não sei. A vida rodou, rodou e trouxe a gente para a gente. Às vezes me pego pensando em como foi o começo de tudo e não consigo me lembrar, talvez por já ter existido momentos que se fizeram mais marcantes na memória, ou pode ser só uma sequela do Covid na minha cabeça, só sei que ali a vida fez a gente ser a gente.

O tempo foi passando, os laços se estreitando e a gente foi se tornando a gente. Surgiram os primeiros encontros, as primeiras fotos e as primeiras piadas internas, algumas que vira e mexe a gente se lembra e ri como se fosse a primeira vez. Foi tudo muito natural, como se a vida tivesse preparado a gente para a gente.

Quando me dei por mim já tinha acontecido. A gente foi se influenciando e se fazendo mais presente. De Ana Castela a Beyoncé. De Fresno até aquela música antiga que a gente ama e tem decorado na ponta da língua para sempre cantar junto. Tudo isso em um encontro casual para tomar um vinho ou em uma simples volta no uninho da minha tia. Aliás, gosto muito desse carro. Na verdade, acho que só gosto dele pelas companhias fiéis que carrego nas estradas, as mesmas estradas que fazem a gente se encontrar, levando a gente para a gente.

A vida mudou, a gente cresceu. Cada um com sua rotina. Veio aí os primeiros indícios da vida adulta. Passamos a não só colecionar risadas, mas também choros, desilusões, angústias e arrependimentos. Sofrimentos internos que se acalmavam com uma mensagem, apenas um único contato. É, a gente sempre ‘tá aqui pela a gente.

Mas refletindo sobre isso tudo, percebi que vivemos o melhor momento de cada um. Mais  maduros. Mais focados. Cada um enredando o caminho da própria vida, mas comemorando juntos cada pequena conquista. Não tem para a gente.

Não importa o que aconteça. Alguns podem estar mais perto, outros nem tanto. Cada um no seu mundinho vivendo essa realidade louca, mas que no final compensa. Porque não importa o que aconteça, a gente sempre volta para a gente.

Nos retornos para cidade que fez a gente ser a gente, caminhando pela rua sempre me deparo com aquele outdoor com sua foto, coincidentemente no meus fones de ouvido está tocando aquela música que você canta com a alma, caio na real de que não existe uma ocasião em que eles não se façam presentes. Talvez seja um ótimo momento para declarar o meu amor pela a gente, à nossa amizade, ao nosso elo.

Como que pode, né?
Se apaixonar pelos amigos.

Acho que é coisa de alma, ou até mesmo o destino. Deixo aí subentendido para que vocês tirem suas conclusões. Eu já tirei as minhas.

Eu amo a gente!


Imagem de destaque: reprodução / Freepik

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