ARTIGO DE OPINIÃO: EXPLICANDO O ÓBVIO

Lucas Chaves

Ontem (dia 9), a seleção francesa foi eliminada pela Espanha, após perder por 2 x 1, na semifinal da Eurocopa. O escrete de Mbappé, tido como um dos favoritos ao título, acabou não conseguindo chegar à final da competição, que esse ano, ocorre na Alemanha.


A França não perdia um jogo de Copa do Mundo e Eurocopa dentro do tempo normal desde 2014. As eliminações na Eurocopa de 2016 e 2021 ocorreram na prorrogação e nos pênaltis, respectivamente. Em 2018, o país franco conquistou a Copa do Mundo, enquanto em 2022, perdeu a final para a Argentina nas penalidades.


E quando um time ou seleção se torna muito competitiva e vencedora, isso pode gerar uma antipatia. Porém, não foi por razões futebolísticas ou desportivas, que a equipe francesa gerou desagrado em algumas pessoas e sobretudo no jornalista esportivo Thiago Asmar.


Thiago Asmar, mais conhecido como Pilhado, é comentarista de futebol da “Jovem Pan” e já é conhecido por suas “opiniões polêmicas”, para não dizer estúpidas, e seu jeito enérgico e sua euforia quase patológica. Pilhado, que outrora chamou a seleção brasileira feminina de lacradora, agora resolve comemorar a derrocada francesa na Euro por supostamente os jogadores da seleção serem esquerdistas.


E essa sandice de associar os jogadores de futebol franceses a uma suposta esquerda ocorreu devido ao manifesto dos atletas em suas redes sociais nas vésperas das eleições parlamentares do país. Em sua maioria, filhos de imigrantes dos mais variados países africanos, os futebolistas franceses se opuseram ao partido Reagrupamento Nacional, da candidata ultranacionalista Le Pen.

O Reagrupamento Nacional é de uma linha de extrema-direita com forte ideologia anti-imigratória, e por vezes, utilizando de discursos racistas e xenofóbicos para se promover. Esse é o modus operandi da extrema-direita europeia, gerando simpatia através do medo, colocando à população contra os imigrantes, tratando-os como um inimigo que vai destruir a cultura local e tornar o país mais perigoso.


Os jogadores franceses conhecem a trajetória de seus pais, dos seus antepassados, do país do qual carregam sangue. Não faria sentido, alguém, que viu e vê todo o sofrimento e luta de seus familiares para conquistar a dignidade num país estrangeiro, apoiar uma pessoa que vê seu povo como escória. Isso não se trata de direita ou de esquerda, até porque os jogadores não manifestaram apoio a partidos ou candidatos, à esquerda ou à direita, mas demonstraram sua repulsa à um partido extremista de política anti-imigratória.

É revoltante ver pessoas com um grande poder de comunicação utilizando de seu espaço e sua fama para propagar insanidades sem tamanho.

E por ironia do destino, a eliminação da França se deu pelo gol de um filho de imigrantes africanos. O tento espanhol que deu a vitória e a classificação foi do garoto Lamine Yamal, de apenas 16 anos, que é descendente de marroquinos e guineenses-equatorianos.


Será que Yamal defenderia Le Pen?

É pouquíssimo provável.


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