MULHERES NO JORNALISMO ESPORTIVO: CONHEÇA ISABELA TEIXEIRA

Cecília Rodrigues

Para muitas pessoas, a paixão por esportes nasce cedo, por influência da família ou por simples vontade de praticar tudo que for possível. Esse certamente é o caso de Isabela Teixeira Damazo, jornalista esportiva, de 22 anos, formada pela UFSJ.

Apesar de ter começado apenas vendo jogos de futebol com seu pai, esse carinho esportivo logo se aflorou e transportou-se para outras práticas esportivas. De vôlei até karatê, não existia modalidade pela qual Isabela não se interessasse. Ao Notícias del-Rei, a jornalista conta que se lembra, inclusive, de crescer frequentando estádios em São João del-Rei e outras cidades próximas ao acompanhar times de futebol. Mesmo com o fato de que era a única menina e criança a assistir os jogos, o cenário esportivo sempre lhe serviu de encanto.

Foi exatamente esse amor pelo esporte, inclusive, que a fez se interessar pela graduação em Jornalismo. Quando estava no último ano do ensino médio, Isabela começou a pensar no que poderia cursar na faculdade, até se deparar com uma área que a permitiria ter contato com sua maior paixão: o esporte. E, assim, ela deu seu primeiro passo a caminho dessa habilitação em Comunicação Social.

“É claro que existe aquela frase que diz: ‘se você trabalhar com o que você ama, você nunca vai trabalhar’. Mas eu acho que isso é falso. Acho que a gente trabalha mais ainda, por se dedicar muito ao que ama”, reflete Isabela sobre trabalhar numa área de seu interesse.

Os primeiros passos profissionais

Ao ingressar na UFSJ, Isabela buscou participar de projetos para que pudesse se desenvolver. E foi assim que, logo no segundo ano da faculdade, ela conseguiu seu primeiro estágio: na loja de uma concessionária de telefonia em São João del-Rei. Essa experiência serviu para que Isabela percebesse que não se interessava em trabalhar com marketing e mídias, e buscasse se especializar ainda mais. O seu primeiro contato profissional com o jornalismo esportivo veio logo depois.

Na “SportNewsMundo“, onde trabalhou por quase um ano, Isabela começou redigindo matérias sobre vôlei e futebol feminino. Ela percebeu rapidamente que não gostava de trabalhar com redação e por isso continuou buscando vagas que se encaixavam no que ela gostava de fazer.

A partir daí, as coisas escalaram. Durante a pandemia, Isabela começou a buscar assessorias de clubes/seleções e também conseguiu participar de coletivas de imprensa da seleção feminina brasileira.

“Foi muito legal, me deu muita experiência. O on-line acabou trazendo isso. […] Antigamente essas coisas eram só presencialmente e eu não teria essa possibilidade”, defende Isabela.

Em 2022, Isabela se formou na UFSJ. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é, até hoje, um projeto do qual tem muito orgulho: “Elas No Jogo” é uma pesquisa em webreportagem que busca falar sobre a representatividade feminina no esporte, e a influência da participação feminina em práticas esportivas para as espectadoras.

Mas o trabalho de Isabela não acabou por aí. Após trabalhar na “SportNewsMundo” e na “365scores“, conseguiu uma vaga na “Esportudo” – uma startup que trabalha como ecossistema de diversas marcas relacionadas á esporte. Trabalhando na empresa até hoje, Isabela descreve seu desenvolvimento lá dentro como “muito rápido”: Começando como designer da página de futebol, ela ainda trabalhou nos cargos de social media e supervisora de conteúdo antes de chegar onde está hoje, na posição de gerente de conteúdo.

Hoje, Isabela administra quatro páginas da “Esportudo” nas redes sociais, sendo elas: @esportudobr (página geral), @esportudo.w (focada em esportes femininos), @xportudo (focada em esportes radicais) e @racingbr_ (focada em automobilismo).

As dificuldades de ser mulher no esporte

Isabela diz que, no começo de sua jornada, as dificuldades no mercado de trabalho giravam em torno das vagas disponíveis para ela. Apesar de ser um ramo com muita disponibilidade, a maior parte delas pedia um trabalho presencial – o que dificultava as coisas para ela, moradora de São João del-Rei. Hoje em dia, mesmo residindo em São Paulo, diz que tem dificuldades para se encontrar na cidade, e ainda opta por procurar oportunidades e experiências pela internet, onde consegue se desenvolver melhor.

Atualmente, as dificuldades que Isabela mais enfrenta envolvem ser uma mulher jornalista numa editoria majoritariamente masculina.

De acordo com ela, a falta de espaço e oportunidade faz com que as mulheres do esporte “precisem de mil argumentos para comprovar um único ponto”, como se sua competência não fosse válida. Apesar disso, Isabela considera que essa batalha diária que enfrenta serve para que construa um cenário melhor para as futuras meninas que virão.

Apesar do cenário pessimista, Isabela não considera que tudo está perdido, por ter notado um grande crescimento na quantidade de mulheres que trabalham no esporte.

“Quando eu entrei na empresa que trabalho hoje, era uma das poucas meninas. Dava pra contar nos dedos. Hoje em dia, tenho equipes compostas apenas por mulheres”, narra.

Um dos momentos mais marcantes para sua carreira jornalística, de acordo com Isabela, foi a oportunidade de cobrir a Copa do Mundo Feminina de 2023. Mesmo com o Brasil sendo eliminado na fase de grupos, ela continuou participando da cobertura do evento. Isabela relembra que não esperava ter uma experiência dessas tão cedo, considerando que completou seus 22 anos durante a Copa.

De acordo com a jornalista, esse foi seu melhor momento profissional, por ter a oportunidade de estar de frente com pessoas que admira. Também cita ser o primeiro ambiente onde percebeu que estava mais acompanhada de mulheres do que de homens.

“Foi tão marcante. Foi a primeira vez em que me senti num ambiente tranquilo, onde sou maioria e não minoria”, celebra.

Expectativas

Para aqueles que desejam seguir a mesma carreira que Isabela, ela deixa um conselho que gostaria de ter escutado no começo de sua jornada: produza mais projetos pessoais. Ela explica que, ao olhar o portfólio de alguém numa contratação, leva em consideração as experiências que outros tiveram fora do âmbito do trabalho.

De acordo com Isabela, atualmente existem muitas formas e possibilidades para a produção de conteúdo e nem sempre ela acontece trabalhando para outra pessoa. Ela recomenda a utilização de redes sociais, como Instagram ou X (ex-Twitter), ou sites voluntários, para começar a produção de um portfólio pessoal.

Dessa forma, ela também incentiva que futuros jornalistas aprendam o básico sobre design e outras habilidades – para que, no futuro, possam ter uma boa base para exibirem seus trabalhos: “tem muitas formas, hoje em dia, de você trabalhar no meio esportivo”.

Sobre seus objetivos atuais, Isabela diz que pretende continuar trabalhando da forma que faz hoje. Entretanto, buscando cada vez mais pessoas para acompanhá-la. Seu maior foco é divulgar o esporte nacional, e os atletas brasileiros.

Ela acredita que, muitas vezes, o senso comum acaba por valorizar mais os atletas internacionais e ignorando o que existe de bom no Brasil. Seus planos em esfera macro, entretanto, envolvem participar novamente da cobertura de um evento grande: “a Copa do Mundo foi algo transformador, e quero ter essa experiência de novo. Não sei quando vai acontecer”.

Além de cobrir outra Copa do Mundo, Isabela também quer participar da cobertura de uma Olimpíadas, por conta de sua fascinação no evento que une todos os esportes – e não só o futebol.

Ainda sobre os Jogos Olímpicos, Isabela compartilha suas expectativas para o Brasil durante as Olimpíadas. De acordo com ela, o nível do esporte mundial anda ficando cada vez mais forte, graças a aprimoração dos atletas. Isso faz com que as disputas, como as Olimpíadas, fiquem ainda mais acirrada. Desse cenário, o Brasil não foge.

“O Brasil chega bem em alguns esportes, não tanto em outros. […] Mas eu espero que o Brasil conquiste um recorde de medalhas”, sinaliza.

Quando o assunto é seu mercado jornalístico, Isabela já acredita que a cobertura do evento será muito grande – já que as Olimpíadas serão transmitidas também pelo YouTube.

Isabela acredita que o evento conseguirá recordes de audiência grandes, pela presença de uma transmissão gratuita que foge da TV a cabo e não fica restrita apenas á certas coisas em horários específicos. Em geral, Isabela se considera animada para a competição em três âmbitos: como fã, torcedora e jornalista.


Imagem de destaque: Reprodução – Instagram – @isabeladamazo

Edição: Arthur Raposo Gomes

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