Isabella Mol
Tudo indica que o fenômeno conhecido como “fuga de cérebros” chegou ao esporte, com a exportação contínua dos jogadores para outros países. O termo, que antes era majoritariamente relacionado aos profissionais da tecnologia, está chegando em muitas áreas do mercado de trabalho, inclusive na esportiva. Assim, o futebol brasileiro, exemplificando, que costumava ser popularmente chamado de “o melhor do mundo”, vai perdendo o brilho, o interesse e o incentivo financeiro. Da mesma forma, as outras modalidades encontradas por aqui.
Em 2019, o Brasil era o país que mais mandava jogadores para atuarem no exterior, segundo uma pesquisa do Centro Internacional de Estudos Esportivos (Cies), divulgado pelo “ge” da Globo, contando com 1.600 atletas foras de suas terras. Profissionais como Marta, Miraildes (Formiga), Débora Cristiane (Debinha), Vinícius Junior, Lucas Paquetá, Endrick, Neymar e Enderson, deixaram as suas cidades para procurar jogos em outros países, com destinos que percorrem o mundo inteiro.
Além deles, muitos outros, ainda na adolescência, imigram com o sonho de serem valorizados, como Giovanna Waksman, jogadora de quinze anos, que treina futebol feminino nos Estados Unidos, e Kamilla Cardoso que, hoje aos vinte e dois, está há sete anos também lá, pelo basquete. Muitos tenistas também têm se mudado para o exterior ou contratado técnicos estrangeiros para treiná-los, de acordo com Fernando Meligeni, ex-tenista profissional e atual comentarista esportivo, pelos mesmos motivos.
Seja pela falta de incentivo para a formação de profissionais qualificados, seja pela oscilação econômica do país, ele vem sofrendo com a perda de conhecimento, provinda de trabalhadores de todas as áreas, que procuram melhores oportunidades em outros, geralmente os desenvolvidos. No esporte não é diferente. O baixo investimento na qualificação impede a modernização e o desenvolvimento dos jogadores, ao passo em que impulsiona a globalização futebolística. Isso porque, segundo o pesquisador Rodrigo Marioni, “a sustentabilidade das equipes de futebol não se restringe apenas a vitórias esportivas, mas também a capacidade de planejamento e desempenho financeiro”.
Consequentemente, o país sofre com poucas classificações em campeonatos mundiais e com o desinteresse por parte de outros times. Em segundo plano, com a saída dos jogadores, que acreditam não conseguirão uma profissionalização eficaz aqui.
Nesse sentido, levanta-se a pergunta:
qual seria a solução para tal problema?
É difícil dizer. Sendo a falta de investimento financeiro nos clubes um grande problema, seguida por uma necessidade de uma nova valorização do esporte no país, na intenção de atrair os nossos próprios esportistas, crê-se quase instantaneamente que a resposta é, primeiro, a conscientização de que existe um grave problema que, se persistir, irá desfalcar o peso dos times do país, seguida pelo incentivo.a introdução de novos recursos financeiros. Contudo, onde e como encontrá-los?
Além disso, nota-se outra grande problemática: as grandes dívidas em que os clubes nacionais se enroscaram, unidos aos líderes corruptos de algumas de suas direções. Tudo isso segue dificultando a melhoria dos jogadores do país, como explica Joshua Law, jornalista inglês que escreve para revistas como a Forbes e a Planet Football.
No final das contas, o que se percebe é a constante desvalorização do esporte nacional, o desinteresse por parte dos atletas e uma grande urgência por mudanças, para que o cenário esportivo brasileiro se safe e continue impulsionando o espírito esportivo de tantas pessoas de seu território.
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