Nathália Ferreira
No dia 25 de fevereiro deste ano, durante uma partida de futebol em Porto Alegre, um incidente trouxe à tona mais uma vez a questão do assédio enfrentado por jornalistas esportivas. Gisele Krumpel, repórter do “Canal Monumental”, denunciou publicamente o mascote de um time por assédio sexual. Ela tomou medidas sérias ao registrar uma queixa na polícia e solicitar uma medida protetiva contra o agressor. Este evento, infelizmente, não é um caso isolado e ilustra os desafios persistentes enfrentados por mulheres jornalistas no campo esportivo.
Em 2018, Bruna Dealtry e Julia Guimarães foram submetidas a abusos físicos e verbais por parte de torcedores dentro dos muros do estádio. Em 2022, na Copa do Mundo do Catar, Isabelle Costa foi recebida com uma pergunta perturbadora de um homem que questionava sua profissão como atriz pornô. Já nas Olimpíadas de Tóquio, Laura Okmin abriu a primeira de varias denuncias de casos de assédio sexual e moral na area do jornalismo esportivo. Infelizmente, esses acontecimentos globais potencializam situações de assédio, exibindo vulnerabilidades das profissionais que buscam exercer suas funções num ambiente seguro e respeitoso.
O movimento “Deixa Ela Trabalhar“, iniciado após os acontecimentos de 2018 por profissionais do jornalismo esportivo no Brasil, destacou uma série de situações de assédio e discriminação vivenciadas por mulheres durante seu trabalho. Porém, mesmo tendo se passado 6 anos, casos de discriminação e violência de gênero seguem acontecendo.
Vale lembrar que no Brasil há diversos projetos de lei que visam combater o assédio a jornalistas, especialmente na área esportiva. No entanto, as políticas existentes não são suficientes para prevenir de forma eficaz o assédio. As proteções são muitas vezes inadequadas ou mal aplicadas, deixando os jornalistas vulneráveis a abusos e violações.
À medida que nos aproximamos dos Jogos Olímpicos de 2024, surge novamente a preocupação com a segurança e o bem-estar das jornalistas que cobrirão o evento. Os episódios de assédio enfrentados por repórteres esportivas em grandes eventos demonstraram uma triste realidade: a vulnerabilidade das mulheres jornalistas em um ambiente muitas vezes marcado pela misoginia e pelo machismo. Devido a isto, as jornalistas mulheres são alvo de assédio físico, verbal e online, recebendo comentários misóginos e ameaças de violência, afetando também o psicológico
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Fica claro a necessidade urgente de mudança para uma maior igualdade de gênero no jornalismo esportivo. As instituições esportivas têm a responsabilidade de promover um ambiente seguro e respeitoso, que inclua políticas claras e eficazes para prevenir e combater o assédio durante eventos ou nas suas instalações. Por outro lado, os meios de comunicação têm a tarefa de garantir a segurança das jornalistas através da implementação de medidas internas preventivas, como canais confidenciais para denúncias e treinamentos especializados na temática do assédio sexual e violência contra mulheres.
A luta contra o machismo e a busca por igualdade de gênero no jornalismo esportivo exigem não apenas mudanças nas políticas internas das organizações, mas também a implementação de leis mais rigorosas e a colaboração internacional para garantir a proteção e o respeito às jornalistas em todas as etapas de seu trabalho.
É hora de transformar a indignação em ação concreta, assegurando que as mulheres jornalistas não apenas possam trabalhar livremente, mas também sejam valorizadas e respeitadas em todos os aspectos de sua profissão.
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