Nicole Guedes
É a hora do pênalti, e a torcida, fervorosa como sempre, fica em silêncio pela primeira vez. Alguns de olhos fechados, temendo o pior. Outros, já cantando vitória antes da hora. E então… Bola na rede! “É gooool! É goooool! É goooooool!”, diz o narrador, que há tantos anos transborda sua emoção por toda cidade, através de suas palavras e entonação.
Seu Antônio é locutor esportivo há mais de 20 anos, mas o amor pelo esporte continua o mesmo. Em cada quadra, em cada jogo, em cada narração, é como se fosse ele ali no campo, com a chuteira no pé, nos seus tempos de jogador amador. A verdade é que, para o senhor, o esporte, seja ele qual for, é muito mais do que um passatempo. É saúde, é energia, é sorriso, é felicidade. Muito mais do que qualquer uma dessas coisas, é paixão. Paixão de estar junto a outros que compartilham de um mesmo objetivo, paixão de poder ensinar aos filhos e netos o amor à bola, paixão de ver vibrar a bandeira do seu time.
Eu nunca gostei muito de esporte, mas confesso que fiquei tocada e motivada depois de uma longa conversa em que Antônio me contou sobre a importância dele na sua vida. Não seria diferente, já que seu trabalho é esse, nos emocionar com cada palavra e cada suspiro. “Lembro-me de como o espírito esportivo era forte aqui na cidade”, ele me diz. Em silêncio, me pego pensando em como isso tem mudado. Não tenho recordações do esporte no nosso cotidiano, não ouço quase ninguém falar sobre… Onde foi parar a paixão?
Então entendo que, na realidade, o sentimento não está no esporte em si, mas nas pessoas que o carregam de geração em geração.
Por isso, precisamos valorizar este legado e abrir espaço para que ele seja construído, reconstruído e perpetuado coração afora.
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