CRÔNICA: DE IMPERATRIZ NO MARANHÃO PARA O MUNDO

Livia Werneck

Imperatriz, uma cidade tranquila do Maranhão, foi o berço de uma criança do interior do nordeste, que desde de pequena já sonhava em conquistar o mundo através das rodas do seu skate. Rayssa Leal, ou como carinhosamente ficou conhecida, a “Fadinha do Skate“, tinha uma história que encantava a todos. Aos seis anos, ganhou de presente um skate de um amigo do pai. Foi amor à primeira vista. Nas ruas da cidade, ela encontrou seu palco, onde sua imaginação voava livre, e seu skate era a varinha mágica que deixava tudo mágico.

Foi em uma tarde de sol, no dia 7 de setembro, feriado de Independência do Brasil, que um vídeo, aparentemente comum, tornou-se a chave para o reconhecimento global. A pequena Rayssa, vestida com uma fantasia de fada que ela tinha usado para o Desfile de Independência, desceu uma escada de flip, manobra de difícil execução. O vídeo viralizou, foi repostado pelo Tony Hawk, lenda do skate mundial e com ele veio o apelido que a acompanharia para sempre. 

Sua ascensão foi rápida, aos onze anos, já dominava os circuitos de skate, tornando-se a mais jovem vencedora de uma etapa da Street League Skateboarding (SLS). Aos treze, o mundo se curvou diante dela quando conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Seus voos sobre o asfalto ecoaram como um hino para todas as meninas que ousavam sonhar alto.

Desde então, Rayssa Leal tornou-se um símbolo de inspiração e empoderamento. Suas vitórias não se restringiam às pistas de skate, mas se estendiam aos corações daqueles que a admiravam. Ela representava a força da juventude, a coragem de desafiar convenções, principalmente no skate, ambiente majoritariamente dominado por homens e a determinação de perseguir seus sonhos, não importando o quão distantes eles parecessem.

Olhando para o futuro, as Olimpíadas de Paris em 2024 se configuram como mais um capítulo promissor na história de Rayssa Leal. Com apenas 16 anos, ela já se encontra entre as favoritas ao pódio, buscando repetir o feito de Tóquio e consolidar-se como uma das maiores skatistas de todos os tempos.

Rayssa Leal, a “Fadinha do Skate“, pode ter conquistado o mundo com suas habilidades no skate, mas foi com seu espírito de igualdade e sua determinação inabalável que ela conquistou os corações de todos que tiveram o privilégio de testemunhar sua jornada. E assim, seu legado transcende as pistas, ecoando como um lembrete de que, com um pouco de magia e muita determinação, todos podemos voar.


Imagem de destaque: reprodução / @rayssalealsk8

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