Lucas Magelle
Somos o país do futebol, estampamos com muito orgulho as cinco estrelas e falamos (com toda razão) que somos a camisa mais pesada e tradicional do esporte. Entretanto, tudo que existe luz tem sombra, e o que paira esse legado se torna cada vez mais visível na estrutura futebolística: a instabilidade dos técnicos no futebol brasileiro.
Para contextualizar, estamos na 3º rodada do campeonato brasileiro e já aconteceram oito mudanças de técnicos entre os clubes da série A. No ano passado, 49 técnicos trabalharam no campeonato e apenas cinco não mudaram sua gestão ao decorrer dos pontos corridos. É válido destacar que, os cinco clubes que não mudaram de comando fizeram parte de cima da tabela.
Já se tornou claro, e amplamente debatido, que esse comportamento por parte da diretoria mina a estabilidade necessária para o crescimento e aprimoramento das equipes, aumentando a pressão para aqueles que tentam trabalhar no campo e impedindo a implementação de um trabalho consistente.
É preciso refletir sobre esse tipo de atitude, assim como o treinador Fernando Diniz (Fluminense) criticou em sua última entrevista: “Serve só se ganhar. O Abel Ferreira não está aí há tanto tempo porque é bom. Ele está aí porque ganhou. Tem um monte de treinador brasileiro bom, mas tem menos tempo.”
A resposta para esse cenário não é simples, o brasileiro é orgulhoso, pensa em vencer a todo momento, mais que isso, pensa em vencer convencendo. Se um técnico faz um trabalho regular em um grande time, já é passível de críticas.
O técnico Tite, por exemplo, sofreu criticas por não golear o Palestino jogando fora de casa na Libertadores, o que o levou a dezenas de pedidos de demissão nas redes sociais.
Enquanto essa cultura persistir e não abrirmos espaço para trabalhos duradouros, como acontece com Ancelotti, Xavi, Klopp, Xabi Alonso ou Allegri no futebol europeu, o nosso cenário continuará estagnado, incapaz de recuperar o brilho já conquistado.
É preciso dar espaço para pensar, inovar, criar novas estratégias. Enquanto fizermos apenas o arroz com feijão, estaremos jogando contra a conquista da sexta estrela, estaremos jogando contra o futebol brasileiro.
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