Joyce Helena Tanus
Com a data da abertura das Olimpíadas de Paris 2024 se aproximando, é importante voltar a discutir a presença de mulheres e a representatividade no esporte. Joana Brandão, mais conhecida como Jojoca, traz reflexões sobre autoestima, esporte e cotidiano nas redes sociais. Recentemente, ela postou um vídeo sobre a equidade no esporte e nele comenta como foi difícil a entrada das mulheres para as Olimpíadas. As Olimpíadas de Paris em 2024 será a primeira vez que uma edição dos jogos terá total igualdade em números de participantes de cada gênero. Segundo a notícia do jornalista Guillaume Depasse, publicada em março no portal oficial de notícias das Olimpíadas de Paris, dos 10.500 atletas participantes, 5.250 são homens e 5.250 mulheres.
Mesmo com essa grande conquista para a luta feminista, nas escolas a maioria das meninas ainda não participa das aulas de educação física e, em relação aos meninos, demonstram menos interesse por esportes. A pesquisa “A participação das meninas nas aulas de educação física nos anos finais do ensino fundamental e médio em escolas públicas“, feita por Josiane Ferreira em 2019, buscou investigar o motivo desse afastamento das meninas. Em conclusão, a autora alega que a razão desse dado é muito complexa, que vai desde a construção cultural do corpo feminino refletida na educação em casa à formação e preparo dos professores de educação física. Em outro vídeo, Jojoca atesta a conclusão dessa pesquisa ao relatar sua vergonha de mostrar seu corpo ao praticar esporte quando criança. O agravante é a constante naturalização da não participação dessas alunas.
Poderia discorrer ainda sobre a diferença salarial, a falta de mulheres em cargos técnicos dentro de clubes e muito mais, porém levanto outra questão: se foi e é difícil a entrada das mulheres no esporte, imagina como é para as mulheres gordas?
O esporte a gordofobia
O mercado e a mídia são muito fortes e consistentes na manutenção do padrão beleza, e, infelizmente, essa pressão estética recai muito mais sobre as mulheres. No mercado existe uma variedade de comidas diet, light e zero, suplementos, dietas, cirurgias plásticas e de redução de estômago, cosméticos e várias outras ferramentas para a mudança do corpo. Nas redes sociais, o esporte e a prática de atividade física são, muitas vezes, ligados à busca desse padrão de beleza. Como diz a meia maratonista Ellen Valias em seu bordão, “não é só sobre saúde”.
“O ambiente esportivo é totalmente gordofóbico. A sociedade só aceita um corpo gordo fazendo atividade física se for para ele emagrecer. Não é cabível no estigma social que uma pessoa gorda se exercite por prazer, por saúde e lazer. Eu joguei e jogo basquete, e sei que não cheguei a me profissionalizar porque não tinha espaço para mim. A gordofobia me afetou, afetou meu desempenho” – disse Ellen, em entrevista para o Portal Uol, em 2020. Em seu perfil no Instagram @atleta_de_peso, compartilha reflexões para enfraquecer estereótipos e a gordofobia. Apaixonada pelo basquete, criou o “Rachadão Basquete Feminino” como forma de estimular as mulheres de sua cidade a praticarem esportes.
Discutir a presença das mulheres no esporte, vai muito além de números de atletas nas olimpíadas. Não só no esporte, mas em todos os lugares as mulheres precisam ser representadas em sua amplitude de tipos de corpos.
Praticar um esporte sem se sentir julgada pelo corpo, ocupando cada vez mais seus espaços e ultrapassando barreiras.
Há muita luta pela frente.
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