Jackeline Souza
Desde os nove anos de idade, João Lara, natural de Piracema, já mostrava sua paixão pela música. Ainda na adolescência, formou a sua primeira banda, chamada “Jovem Raiz”, na qual tocava reggae junto com outros amigos enquanto produziam e se apresentavam em eventos.
Durante este período, começou a compor suas primeiras canções. Ao Notícias del-Rei, ele ressalta que o processo de composição é variado, mas vem muitas vezes a partir de sentimentos que buscam se expressar. Afirma ainda que a cidade de São João del-Rei intensificou suas inspirações para novas canções.
“É quando precisa dizer alguma coisa e não sai pelo meio comum que é a fala, então a canção cria um espaço para dizer”.
– reflete João Lara.
O jovem de 29 anos toca e estuda violão há mais de 18 anos. Mas se engana quem pensa que ele focou apenas na parte artística: ele se mudou para São João del-Rei para estudar Psicologia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), por se interessar por essa área e pensar que poderia conciliar as duas coisas.
Por isso, mesmo durante seus anos de graduação, João manteve contato com a música, estudando paralelamente disciplinas isoladas na graduação em Música e tendo aulas de violino e violão no Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier. Considera-se multi-instrumentista, por saber tocar outros instrumentos como violino, baixo, bateria e percussões variadas, como pandeiro e Djembe.
Inspirações
Sendo grande fã da Música Popular Brasileira (MPB), ele segue se inspirando em diversos artistas como Gilberto Gil, Djavan e grandes nomes do forró como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Xangai e Cátia de França.
Para ele é muito natural explorar diversos gêneros, pois começou no reggae e, hoje em dia ,acredita ter se apropriado mais do forró para criar o seu repertório.
Ele argumenta considerar a MPB como um meio múltiplo, possibilitando a utilização de vários ritmos para a criação de suas obras e entendendo que “do reggae para o forró não há uma distância tão grande assim”: João Lara até fez parte da formação de um projeto de forró autoral chamado “Trem Lampejo”, com o qual tem tocado em várias cidades de Minas Gerais.
Álbuns independentes
Em 2020 e 2021, João lançou seu álbum e seu EP denominados, respectivamente, “João Lara” e “João Lara – amaré“. Ambos foram desenvolvidos de maneira independente.
Para o músico, o maior desafio é a distribuição e a divulgação deste trabalho. Ele explica que gravar e compor não foi fácil, já que tinha pouca experiência e o processo ocorreu durante a pandemia de Covid-19, mas avalia que a experiência foi muito bacana e lhe ensinou muito.
O artista considera que o momento de entregar o trabalho para as pessoas é o mais difícil, já que exige outras habilidades, além de musicais.
“É mais ligado ao marketing e a produção de eventos, visto que ao mesmo tempo em que as plataformas de streaming facilitam a divulgação do trabalho para todo mundo, elas dificultam na questão do arrecadamento do artista, principalmente no Brasil que as pessoas já não compram mais CD. A maior parte dos lucros vão para as plataformas”.
– elenca João.
Expectativas
Para 2024, os planos do músico visam desenvolver mais o projeto autoral – principalmente a partir das leis de incentivo. Além disso, João Lara também pretende manter as apresentações do “Trem Lampejo”.
O artista tem data em Lisboa (Portugal) no meio do ano e está tentando levar o grupo de forró para ficar um mês com os shows. No entanto, o principal foco está em São João del-Rei e Tiradentes, pois pretende gravar discos, realizar shows e melhorar o material, se aprofundando na produção, bem como circular em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, buscando expandir o seu trabalho.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: arquivo pessoal
