Ana Isa Moura e Luisa Meinberg
Na noite da última quarta (dia 22), aconteceu, na Câmara Municipal de São João Del-Rei, uma audiência pública para discutir as obras da Avenida 31 de Março, na Colônia do Marçal.
O encontro foi proposto pela vereadora Lívia Guimarães (PT) e contou com a presença dos vereadores Igor Sandim (Podemos), Rogério Bosco (PT) e Fabiano Rocha Pinto (Democratas). As Secretarias de Governo, Infraestrutura e Obras, e o Ministério Público, bem como a engenheira responsável pelo projeto, Gláucia Cantelmo, não compareceram à reunião.
A motivação para este encontro se deu pela recorrência de acidentes e alagamentos agravados pelas obras realizadas na Avenida.
No último dia 15, chuvas intensas causaram uma inundação que prejudicou a população do bairro e, principalmente, o comércio local, além de um acidente e ampliando os riscos no trânsito. Uma das propostas de solução apontadas na reunião, seria a captação das águas pluviais e estruturas de escoamento.
Alguns participantes deram depoimentos, relatando a falta de transparência da obra.
“Eu fui uma das que provocou, com a mídia, essa audiência pública. Não sou moradora de nenhum dos bairros acessados pela (Avenida) 31 de Março, mas eu tenho familiares e amigos moradores”, comentou Lucília Resgalla.
“No dia 15 de novembro houve aquela chuva horrorosa, claro, ninguém tem culpa da chuva, mas tem culpa, sim, das consequências dela. Tem culpa, sim, de uma obra que está trazendo enchentes provocadas por uma chuva no local onde não tem esse escoamento. E os vereadores não fiscalizam a obra. Eu desafio os quatro vereadores aqui presentes a me apresentarem o projeto. Eu desafio qualquer um de vocês a me mostrar aqui uma placa onde foi apresentado o tempo de obra, início de obra, valor da obra, tempo de ideia, empresa responsável pela obra, engenheiro responsável pela construção da obra. Eu sou conselheira do Codema (Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente) há nove anos, estive presidente durante seis anos. A gente vê a luta aqui, a gente vai ter uma luta”, defendeu Lucília.
Em sua fala, a moradora também aponta o problema da Avenida Luiz Giarola, o qual ela menciona ser “um crime antecipado”.
Em seu depoimento, a arquiteta e assessora Cassi Pinheiro ofereceu um olhar técnico, além de crítica, sobre as obras da avenida.
“É muito evidente que a nossa cidade está passando por um problema central de gestão democrática. A gente vem observando que a população não está sendo envolvida, não existe nenhuma transparência nesse processo e não adianta nada o prefeito colocar a cidade como o maior canteiro de obra do Brasil se essas obras não atenderem às demandas da população. A gente tem visto agora, no começo das chuvas, a quantidade de problemas que os comerciantes têm enfrentado com a perda de produtos e isso não vai se resolver porque não foi apresentada solução. Essa obra simplesmente não vai chegar em um resultado final satisfatório, não existe caminho apresentado para isso. E além disso, a obra da Giarola traz efeitos lá embaixo, na Aprígio Carrara”, expôs.
Ela citou o acesso a um vídeo que retrata o escoamento de chuva entre as avenidas devido ao aumento da tubulação, afetando a população da avenida localizada na parte mais baixa.
Além dos problemas em relação ao escoamento, são apontadas falhas em relação ao tráfego, prejudicando o fluxo de veículos e ocasionando acidentes.
“A gente vê que realmente não existe questão democrática. Você faz o convite às autoridades responsáveis e eles não aparecem para prestar contas, para informar a situação. Enquanto a gente não resolver essa questão da nossa gestão, não vamos conseguir resolver os problemas da cidade também”, completou Cassi.
Entre os porta-vozes da população e os vereadores presentes, foi questionada inúmeras vezes a apresentação do projeto civil, a qual não aconteceu devido a ausência dos responsáveis.
Julieta Fiche, moradora da Colônia do Marçal há 20 anos, relatou ao Notícias Del-Rei a recorrência do problema e uma preocupação com a sua resolução.
“A população precisa saber que não adianta também asfaltar sem fazer uma tabulação, rede de esgoto adequada, escoamento de água, porque alaga mesmo, né? Fora a temperatura térmica que está insuportável. Agora, com essa obra lá, o que eu vejo é que todo mundo reclama, e a gente tem que fazer alguma coisa. Eu acho que é hora da gente começar a sair pra rua e também fazer a intervenção, mas tá todo mundo desgastado”, declarou.
Quando questionada sobre as expectativas dos resultados da assembleia, prefere ser otimista.
“Eu sou uma pessoa que acredita. Se a gente se mobilizar, não ficar numa postura de reclamação. Nós também somos responsáveis por isso, porque somos, primeiro, eleitores. Estamos sendo prejudicados como pedestres, ciclistas e motoristas. Há uma pressão muito grande quando a gente está dirigindo à noite, de repente há uma redução de pista e não tem nenhuma sinalização. Acho que deve ser uma mobilização da comunidade toda. Os bairros têm que começar a se reunir e buscar essa força”, finalizou.
Os vereadores Lívia Guimarães, Rogério Bosco e Fabiano Rocha, informaram, após a reunião, que vão entrar com representação no Ministério Público, com uma denúncia junto ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA), além de uma reunião pública, organizada pela Comissão de Participação Cidadã, convocando os responsáveis pela obra para esclarecimentos.
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: Luisa Meinberg
