CRÔNICA: EM BUSCA DO COTIDIANO

Foto: Freepik

Rayane Késsia

Certa vez, aos 22 anos, uma estudante se deparou com a seguinte tarefa para uma aula: escrever uma crônica. E foi na imensa sala cheia de computadores que percebeu que após quase três anos e meio de curso, nunca havia considerado escrever o gênero.

Foi então que observando as paredes brancas e ouvindo os tiques dos teclados dos colegas atarefados que fez sua primeira tentativa. Durante toda a aula, escreveu pouco, e o pouco que escreveu jogou fora. Pesquisou sobre o assunto, e todos diziam para falar sobre o cotidiano. E o cotidiano parecia distante fechado ali dentro de quatro paredes.

Levou a tarefa para casa, e não mexeu até outro dia. Em casa, abriu as notas do celular e tentou pensar no cotidiano. Mas novamente, as quatro paredes brancas encaravam de volta quando ela as observava.

Resolveu que deveria ir para rua e quem sabe assim aparecia o tal cotidiano. Procurou por ele no trânsito, nos carros parados no semáforo da rua movimentada, e nas pessoas correndo, e nas pessoas que paravam para pedir dinheiro, e pensou no dia de calor intenso e no suor escorrendo pelas costas. E voltou para a casa com as notas vazias, indecisa sobre o que escrever.

Ao chegar em casa, porém, encontrou uma criatura escondida no canto. E lá estava! Olhou-o atentamente, e o Cotidiano olhou de volta, olho no olho. E finalmente escreveu sua crônica.


Todos os textos opinativos publicados no portal Notícias del-Rei são identificados como tal – não refletindo, necessariamente, a opinião editorial do coletivo.

Deixe um comentário