Luís Felipe Seufitelli
Até não muito tempo atrás, um aparelho servia como principal companhia para famílias inteiras: a boa e velha televisão. Fala-se muito na morte da TV enquanto veículo de mídia massiva, mas será mesmo que “ninguém mais assiste televisão”?
A depender das bolhas sociais dos indivíduos, é compreensível esta percepção. Se você faz parte de uma faixa etária entre 15 e 18 anos, por exemplo, provavelmente o seu círculo de amigos não cresceu com aquele hábito de sintonizar em um canal de sinal aberto todos os dias.
Em muitas casas, a aquisição de computadores só se tornou uma realidade concreta a partir de meados da década de 2000. Isso significa dizer que as opções de entretenimento eram escassas e se limitavam ao aluguel de fitas VHS nas locadoras ou ao consumo de novelas – que por serem exibidas diariamente, acabam se tornando um costume.
Alguns programas veiculados em cadeia nacional – como é o caso do “Mais Você”, transmitido pela TV Globo desde 1999 – já contam com quadros formatados a partir das redes sociais, a exemplo do TikTok. A própria Globo deixou de produzir “Malhação” – o que deixou um vácuo de atrações voltadas para o público jovem na grade de programação.
Apesar de alguns movimentos que indicam adaptações aos novos tempos, a famigerada TV aberta ainda parece ter fôlego para continuar resistindo por muitos e muitos anos.
A chegada dos serviços de vídeo de streaming por demanda (Netflix, HBO Max, Amazon Prime Video, Disney+, entre outros), sem dúvidas impactou a forma de se fazer televisão, afetando diretamente na outra ponta como recebemos esses conteúdos.
Não somos mais os mesmos, evidentemente. Hoje, muitos preferem a agilidade de uma série de 10 episódios às narrativas tradicionalmente mais lentas dos folhetins, até mesmo pelo ritmo frenético e mais agitado de nossas vidas.
Entretanto, a parcela do público que trocou o streaming pela TV ainda é irrisória quando comparada ao índice de audiência aferido nas emissoras de rede aberta. Vivemos novos tempos, mas é preciso ter cautela e analisar o mundo em que vivemos para além da nossa realidade.
Nossos hábitos mudaram, logo é natural que as mídias absorvam essas mudanças. A televisão não está morrendo, ela apenas está diferente daquela que conhecemos.
Nada que também não tenha acontecido com o rádio, que pode ser acessado por meio de um computador, por um celular, ou no carro a caminho do trabalho.
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