AS VOZES DA CIDADE: CONHEÇA TIAGO TROTTA, O MULTI-INSTRUMENTALISTA E LETRISTA DE SJDR

Marina Santana

Em uma cidade conhecida por seu forte cenário cultural, o que não falta são artistas que nascem e se criam nela. Ao som do badalar dos sinos de São João del-Rei, inúmeras vozes cantam e tocam em harmonia, ainda que em diferentes gêneros e estilos.

Dentre seus artistas, um nos conta como é compor, tocar e difundir sua música autoral em uma cidade do interior. Com gravações dentro de seu próprio quarto, e sonoridades que misturam rock n roll e elementos genuinamente brasileiros, Tiago Trotta é como uma “banda de um homem só”, e leva sua voz por onde for – dentro e fora de São João.

Foto: acervo pessoal

O primeiro violão

Quando ganhou seu primeiro violão aos 7 anos, Trotta não imaginava a potência da música em sua vida. Nascido em Belo Horizonte, mas criado em São João del-Rei, o músico já tem mais tempo vivendo com a música do que sem ela. 

A cultura da cidade dos sinos, o conservatório municipal e seu avô sambista são partes fundamentais de sua trajetória artística. 

Tiago entrou na aula de violão ainda cedo por influência familiar, conta sobre seu avô, baterista e percussionista, seu tio também baterista e sobre seu primeiro instrumento: “O violão que eu tocava quando comecei a fazer aula era da minha avó, antes de eu ganhar meu primeiro violão no meu aniversário de 7 anos.” 

“Música é muito mais legal do que isso”

– afirma Tiago.

O número da sorte

Sete é o número da sorte de Trotta. Aos 24 anos, nascido em 07/07/99, já está inserido no cenário musical regional. Sua primeira banda foi no ensino médio, e conta que já nessa época tinha o costume de compor. 

Apesar de sua formação em ciências da computação, o seu objetivo é seguir na carreira de músico, uma paixão antiga. “Me descobri mesmo quando eu percebi que eu queria ter uma carreira na música. Foi quando eu já tava na faculdade, e aí eu pensei: música é muito mais legal do que isso”, conta.

De onde vem a sua música?

Em 2019, Tiago lançou o seu ep de estreia, intitulado Day of The Decade. Com seus primeiros sucessos como Copo de Café e As Cortinas, retrata bem a fase inicial da sua carreira solo – ele conta já não se identificar mais com o álbum: “Meu primeiro ep foi mais uma brincadeirinha. Ele não é muito coeso musicalmente e tem ali as influências que eu tinha quando era adolescente, porque muitas daquelas músicas eu escrevi quando era adolescente..

Já em 2020, Trotta lançou um hit mais pop, o single Such a Beach, que veio com tudo e ganhou clipe e versão acústica. “Eu estava sem ter o que fazer e eu queria lançar alguma coisa, aí eu fui brincando”.

Ele conta sobre esses lançamentos e como ainda representavam uma fase de descobertas, já que as sonoridades de cada música são distintas entre si e com o que ele procura compor hoje em dia.

“Não sabia qual era meu estilo, acho que agora que eu estou tentando desenvolver uma sonoridade específica, sabe? Que vai muito casada comigo, e desenvolvendo meu estilo de composição também”, completa.

Ouça Such a Beach, Copo de Café e mais

No novo single, lançado em meados de setembro, Tiago entrega uma composição recheada de percussão e ritmos brasileiros, e diz querer trilhar esse caminho.

“Não só (música) brasileira, mas música latina também. Tento incorporar mais elementos – como percussão, que é um ótimo jeito de se distanciar desse rock estadunidense”, comenta.

Dentre suas influências sonoras, Trotta cita os acordes do jazz, riffs de guitarra pesados da década de 1990, o clássico Neil Young e bandas nacionais como Paralamas do Sucesso e Blitz. Sua influência do “Brock” (rock nacional) na sonoridade, vem acompanhado de suas letras influenciadas por Roberto Carlos na época da Jovem Guarda: 

“O Roberto Carlos fazia sucesso da forma menos subjetiva possível nas letras dele, sabe? E eu acho isso muito admirável, eu tenho tentado ser mais direto nas minhas letras, menos ‘caetanizado’”, afirma.

A iniciativa DIY 

Do inglês, DIY é uma abreviação para “Faça você mesmo”. É essa a ideia que acompanha Trotta na produção das suas músicas: ele compões, tocas todos os instrumentos, grava e mixa, tudo sozinho.

Com um estúdio improvisado em seu próprio quarto (e em um armário), o músico conta que essa iniciativa nasceu mais por necessidade.

“É mais por não ter dinheiro para fazer uma produção profissional e também por não ter mais ninguém para tocar comigo. Mas faz parte, quem sabe não vai ser meio Foo Fighters?”, declara.

Trotta acabou incorporando essa prática DIY, que virou seu estilo e um dos pontos principais da sua identidade.“Eu acho até que dá mais caráter para música, ter um som diferente”, reflete.

Produzir e difundir música independente no interior de Minas Gerais é complicado – com um único estúdio profissional (o El Nino), faltam também mais lugares para tocar e público para ouvir.

Ele aponta ser uma adversidade, mas que vem mudando com as redes sociais e lugares e pessoas de resistência da música, como o pub La Motta – o único hoje na cidade que recebe as bandas e músicos alternativos. 

Você viu este garoto? Ouça o mais novo single de Trotta

Trotta e as bandas

Não só de carreira solo vive Tiago Trotta. Desde o ensino médio, toca em bandas autorais e cover, já formou a “Brigida Galáxia” com os antigos colegas da faculdade, e atualmente faz parte da banda de punk “Remédio Sem Causa” e da “Captain Lopes and the Crazy Toads“, essa última que segue uma sonoridade indie rock

Ouça a Remédio sem Causa e a Captain.

Foto por Marcos Van Basten

Com shows, ensaios e até uma recente mini turnê por Minas Gerais, ao ser perguntado sobre a conciliação das bandas com sua música solo, ele afirma não haver problemas.

“Tocar em outras bandas te dá uma experiência para quando você for tocar suas próprias músicas, te ajuda a ter outras ideias também, ajudando a contribuir nas músicas dos outros e nas pequenas improvisações do ao vivo, nos timbres…”, enumera.

Para ele, as bandas são um apoio fundamental, elas dão apoio e ajudam a desenvolver estilo e desenvoltura nos palcos: além de ter naqueles grupos uma rede de apoiadores e possibilidades de networking e difusão da sua própria composição. E completa: “tocar é bom, então quanto mais bandas, melhor!”

A Enciclopédia de Fantasmas

Com o primeiro single já lançado – acompanhado de um clipe divertido e cinematográfico -, Trotta conta sobre seu primeiro álbum cheio: “Enciclopédia de Fantasmas”, com previsão de lançamento para janeiro de 2024. Serão 7 músicas – ou melhor, nas palavras dele, “7 fantasmas”.

“Cada música fala sobre um fantasma diferente (não de forma literal), mas sobre coisas que assombram uma pessoa”, explica.

Com uma sonoridade powerpop, o disco contará com ritmos brasileiros misturados a pesados timbres de guitarra. E segundo o músico, será recheado de temas identificáveis, mas com uma leitura leve e divertida.

Serviço

O álbum, assim como suas músicas já lançadas, estará em todas as plataformas digitais. Você também pode seguir Trotta em suas redes sociais (@theagotrotta) para ficar por dentro de todos os seus trabalhos.


Edição: Ana Laura Queiroz

Deixe um comentário