CRÔNICA: O BELO (E INCERTO) HORIZONTE DO FUTURO

Vista de apartamento em Belo Horizonte. / Foto: Luiza Tomey

Luiza Tomey

Muitos afazeres, pouco tempo e uma viagem a BH. Na semana anterior, reclamei com a terapeuta que não havia mais espaço na minha agenda. E, talvez por essa razão, incluí mais um momento de incerteza a um calendário já bagunçado, indo até um congresso em Belo Horizonte com a esperança de que o universo acadêmico me traria luz.

Prédios altos e grandes McDonald’s encantam quem cresceu observando casarões antigos e lanchando coxinha depois do cinema. Mas foi andando numa rua comum da capital mineira, de apartamentos mais baixos e estabelecimentos de nomes desconhecidos, que o desejo por novos ares me atingiu.

Encontrei uma lanchonete pelo Google Maps, com medo de me perder pelo bairro. Ao sentar, levo susto com os preços dos sanduíches; não era o que eu queria comer, mas agora era tarde demais. Ali, contemplo as possibilidades que minha vida pode tomar, e se aquele seria o valor padrão de lanches para mim algum dia.

São João del-Rei não é a mesma cidade que vivi quando mais nova.

Na pouca idade, era um mundo de descobertas, em que todo bairro parecia uma nova realidade. Já adolescente, era o ambiente das novas amizades, das intrigas e do conforto de uma cidade pequena. Adulta, é meu eterno lar e porto seguro; mas, também, uma terra que não contempla mais os espaços aos quais quero ir.

É difícil se tornar adulto. Agora, onde eu moro também é decisão minha. Acima de tudo, é uma decisão que acarreta em diversas outras decisões. A carreira, as oportunidades, as amizades e os laços cortados agora e no futuro se entrelaçam com essa grande questão. 

Sempre tive brilho no olho pela cidade grande, mas a maior das dúvidas atormenta. Será que essa versão romântica do dia a dia na metrópole só existe por conta do meu afastamento dessa realidade? Dizem que, a partir do momento que algo se torna comum, o olhar apaixonado tende a sumir. Será que, ao decorar os bairros, bares e shoppings, eles se tornarão menos encantadores?

Não há o que fazer antes de viver. Espero e planejo; sonho, na mesma medida em que tenho pesadelos. Talvez, se a paixão pelo novo sumir, um “novo novo” mais apaixonante tomará seu lugar.

Ou, quem sabe, um “novo velho”: um retorno às igrejas e ruas de paralelepípedo, com um olhar mais maduro, sossegado e realizado.


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