
Lara Ramalho
Ao recortarmos nossas vidas nas redes sociais, servimos de parâmetro ou até mesmo de de gatilho para aqueles que nos acompanham nelas. E não seria diferente na maternidade, um momento em que as mulheres adquirem inúmeras questões, responsabilidades e culpas. As comparações vêm com força total, já que a vida que é mostrada através de uma tela, parece muito mais interessante e perfeita do que a nossa.
As mães influencers, mesmo que o nicho inicial tenha sido outro, acabam levando um pouco do “maternar” nas redes sociais.
Muitas vezes o dia a dia, vídeos engraçadinhos das crianças, dicas e etc. Mas, nem sempre é uma “maternidade real” como se diz por aí. Sejamos práticos e objetivos: mais da metade das pessoas que acompanham essas influenciadoras não tem a vida nem parecida com as delas. Arrisco a dizer que quase nada. E eu nem falo de individualidade.
A recente mãe e influenciadora digital, Viih Tube, tem chamado a atenção da mídia por criar conteúdos sobre suas descobertas durante a maternidade, sobre o seu corpo, suas emoções e até mesmo seu relacionamento após o nascimento da filha.
Os seguidores se surpreenderam ao ver a coragem, muitos denominaram assim, de mostrar aspectos que raramente encontramos na internet, como a evolução de um corpo após um parto. Talvez a surpresa venha com uma certa razão, já que as redes sociais tem um poder de glamourizar qualquer tema.
Há sim a romantização do papel de mãe, da gravidez e dos próprios filhos, mas também possuem as críticas, como perfis que se encarregam de discutir sobre a famosa e já citada “maternidade real”.
Porém, tenho a sensação de que mesmo que as mulheres sigam e concordam com essa problematização, por muitas vezes não se sentem confortáveis em compartilhar nem produzir, em seus perfis pessoais, o conteúdo pelo medo da opressão da maternidade patriarcal.
E é isso que importa, que as mulheres-mães se sintam cada vez mais livres de compartilhar seus sentimentos, medos, dicas e se conectem com uma parte do maternar que elas talvez desconheçam em seu ciclo.
Contudo, a mídia tradicional e hegemônica ainda não faz esses questionamentos e não leva esses recortes sem que haja uma demanda específica.
A publicidade também ainda não conseguiu com êxito levar pautas que permeiam a realidade feminina. E é aí que as redes sociais, entram com a liberdade de construir narrativas e criar conteúdos que questionem o maternar opressivo.
É preciso que cada vez mais, mulheres sejam encorajadas a compartilhar, consumir e criar materiais que desprendem da romantização e do patriarcado. Conteúdos que abracem o feminino e as dificuldades vividas. É preciso discutir essas pautas e criar um senso crítico acerca da maternidade em toda sociedade, não só entre as mulheres.
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