ARTIGO: DAS CARROÇAS AO CAOS

Foto: Daniel Arantes

Daniel Arantes

O trânsito de uma cidade diz muito sobre a muito sobre sua história. Mas também pode ser revelador de hábitos e costumes de seus moradores. Quanto mais antiga a cidade, maiores as adaptações para os veículos e a velocidade da modernidade.

Ruas e vielas planejadas para o eterno vai e vem de pedestres, cavalos e carroças, agora tem que dar espaço para o trânsito em mão dupla, estacionamento, entregadores apressados e pedestres distraídos. A ocupação portuguesa trouxe para o urbanismo da colônia a escassez  de espaço da metrópole, o que séculos depois se converte em congestionamento, e obstáculos para a democratização da mobilidade urbana.

Mas apesar dos condicionantes físicos do espaço, a segurança de quem trafega sobre suas vias também reflete o comportamento dos motoristas e transeuntes. E São João del-Rei é a cidade com o trânsito mais violento do Campo das Vertentes, superando cidades do mesmo porte como Lavras e Barbacena. 

De acordo com dados do Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito, do Ministério dos Transportes, de 2018 a 2022, foram registrados 4465 acidentes e 58 mortes no município. A média de óbitos por cem mil habitantes chega a 63,8 superando a média nacional de 54,6.

Com uma população de mais 90 mil pessoas, a frota ativa supera 40 mil veículos. A cidade é cortada por rodovias que afetam o ritmo do trânsito. As rodovias BR-265, BR-494 e BR-383, atravessam o município e se encontram na zona urbana da cidade, permitindo acesso direto aos principais centros urbanos do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O perigo para pedestres têm aumentado.

No período de 2018 a 2022 foram registrados 123 atropelamentos envolvendo pedestres e 32 atropelamentos envolvendo animais. Só em janeiro deste ano já foram registrados 64 acidentes, envolvendo pelo menos 141 pessoas. Batidas envolvendo motociclistas, são cada vez mais frequentes em ruas como Avenida Leite de Castro e Avenida 31 de março, importantes vias de acesso entre bairros e o centro da cidade.  

Apesar desse quadro, a situação das condições precárias do trânsito não reverbera nas rodas de conversa da cidade. Não é perceptível nenhum movimento ou campanha para melhoria do trânsito que alcance a parcela significativa da população . O caos nas vias urbanas aparentemente é encarado com um fatalismo inerente à modernidade, ou mesmo relativizado, afinal não é só aqui que o trânsito é um problema.

É urgente a conscientização e mobilização dos são-joanenses para aumentar a segurança no trânsito.

É urgente que esse problema alcance o debate público, entre nas conversas com os familiares, vire tema de trabalhos escolares, chegue nas resenhas nas mesas dos bares e no burburinho das portas das igrejas, dos templos e dos terreiros.

Enquanto isso não chega, seguimos assistindo o número de vítimas da violência no trânsito ruas aumentar.

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