
Mariana Eduarda A. Silva
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) é uma figura forte e importante do governo de direita e foi uma das pessoas mais bem votadas na última eleição. Com grande apoio popular, consegue espalhar ideias e impactar diferentes faixas etárias com discursos permeados de conservadorismo. Por outro lado, Duda Salabert (PDT) é uma mulher trans, também teve um número significativo de votos e luta por uma sociedade igualitária e que respeite as mulheres trans.
Dois personagens completamente diferentes, mas que as diferenças são alvo de ódio e preconceito por uma das partes.
No dia 08 de março de 2023, Dia Internacional das Mulheres, Nikolas Ferreira proferiu um discurso na Câmara dos Deputados que inviabilizou a luta LGBTQIAPN+.
Na ocasião, ele disse que a direita o proibiu de fazer algum discurso naquele dia porque não tem lugar de fala em uma clara referência às duas mulheres trans da câmara, Duda Salabert e Érika Hilton.
Para solucionar essa questão, o deputado colocou uma peruca loira e se intitulou “Deputada Nikole”. Ainda, reiterou que o feminismo é uma farsa e criminalizou “homens que se sentem mulheres fazerem uso do mesmo banheiro que mulheres biológicas e competirem nas modalidades esportivas femininas”.
A repercussão desse fato foi imediata.
A internet foi à loucura e rapidamente os portais jornalísticos começaram a fazer notícias. Por um lado, tem-se um eleitorado fiel que defende Nikolas com todas as forças e, por outro, há uma mídia que deu holofote para o deputado. A maioria das notícias tiveram como foco o deputado e “esqueceram” de olhar o outro lado da história. Resultado: Nikolas Ferreira ganhou mais palco e fama.
Essa não foi a primeira vez que Nikolas Ferreira ofendeu Duda Salabert. Em outro momento, o deputado disse que nunca chamará a deputada de “ela” porque “ela” é um homem. Com isso em mente, protocolou um projeto que proíbe a linguagem neutra. Nikolas Ferreira foi condenado por transfobia por sua fala e teve que pagar uma quantia a Duda Salabert, mas não tem dinheiro no mundo que apague as marcas de ser uma pessoa rejeitada (o).
No Dia das Mulheres, tudo o que nós mulheres queríamos era respeito, entretanto, o dia foi marcado por uma onda de raiva, preconceitos e achismos.
Nem a própria mídia ajudou a viabilizar uma luta tão importante e significativa. Vindo de uma pessoa política, espera-se que ela cumpra seu papel e defenda todos os direitos e deveres da sociedade, porém, não é isso que a gente vê por aí.
Portanto, os próprios políticos são idealizadores e movem multidões em direção ao ódio. Consequentemente, a sociedade fica dividida e há uma guerra constante entre grupos que compartilham dos mesmos valores.
Por fim, não há uma construção coletiva e ninguém chega a lugar algum.
Todos os textos opinativos publicados no portal Notícias del-Rei são identificados como tal – não refletindo, necessariamente, a opinião editorial do coletivo.
