O FIM DO VOID E AS LEMBRANÇAS QUE PERMANECEM EM SÃO JOÃO DEL-REI

Alice Trindade e Maria Paula Santiago

No domingo (17), o Void Rock Bar anunciou, por meio de uma nota oficial no Instagram, o encerramento de suas atividades. Agora, após mais de uma semana do fechamento do local, o bar deixa saudades e lembranças para aqueles que passaram por lá e tiveram chance de se divertir e expressar seu talento.

Relembre o caso 

Na postagem, a equipe deixou um agradecimento a todos que fizeram parte dessa história e enfatizou a importância do estabelecimento para o cenário musical de São João del-Rei.

A publicação gerou uma notável repercussão na cidade e, com mais de 300 comentários, as pessoas demonstraram tristeza pela notícia e, ao mesmo tempo, afeto pelos momentos vividos no ambiente. 

Ao Notícias del-Rei, um dos proprietários do estabelecimento recém-fechado, comenta, sob condição de não ser identificado, que se surpreendeu com o tanto de apoio e carinho que receberam após o comunicado do fechamento.

“Os insights da postagem de encerramento foram assustadores, também recebemos mais de 300 mensagens inbox (ou seja, no privado). Foi algo muito bonito!”, revela.

Sobre o Void

O Void surgiu da união de três amigos, inclusive um deles já tinha um bar chamado Grooves. A ideia era seguir com a proposta do outro estabelecimento e abrir um novo espaço.

Como os proprietários eram músicos, havia a necessidade de um local inclusivo, acessível e com abertura para todo tipo de expressão artística. Dessa forma, a casa já recebeu músicos, dançarinos, DJ’s, drag queens e até malabaristas e artistas de rua. 

De acordo com um dos donos, desde o primeiro dia de funcionamento o espaço atingiu um número de pessoas além do esperado.

 

“Todos nós ficamos espantados pelo que o Void se tornou imediatamente no dia da inauguração”. 

– reflete um dos proprietários, sob anonimato, do estabelecimento que teve as atividades encerradas.

Um lugar de diversidade

Conhecido por sua variedade de repertórios musicais, o Void era um dos poucos locais na cidade que buscava abranger todos os públicos. Essa é a avaliação da estudante Isabela Resende.

“Sempre havia um pessoal animado com o rolê que fosse, seja pop, funk, emo, rock, independente do que fosse, sempre tinha figurinhas repetidas curtindo o local”, relembra a cliente.

Ela afirma que frequentava o bar com regularidade e, à reportagem, demonstra pesar pelo encerramento das atividades da boate.

“Eu recebi a notícia no dia que iria fechar, fui correndo pro local pois precisava participar do último dia, independente do que iria tocar, eu só precisava me despedir de todo mundo e do Void, admite Isabela.

Ela completa defendendo que o local abriu portas para produtores locais, também sendo palco para diversos artistas expressarem sua arte. Além disso, trazia um diferencial quanto a noite de Karaokê, evento que acontecia todas as quinta-feiras e atraía um grande público.

Isabela e seus amigos no evento Funkpédia do Void
(Foto: Reprodução/Instagram/@isabela_nataline)

Uma válvula de escape

Para muitos, o bar também se tornou um local de acolhimento e distração. Após um dia ou uma semana estressante, o Void representava uma espécie de escapismo para os clientes, onde era possível conhecer pessoas e obter novas experiências.

Segundo o estudante Lucas Oliveira, 22, a famosa festa de Halloween do Void, que aconteceu no ano passado, fez com que ele pudesse esquecer os problemas e ter um momento de descontração com as amigas.

“Isso aconteceu em uma época da minha vida em que eu não estava muito bem”, frisa.

Dia de Halloween no Void (Foto: Arquivo pessoal)

 

Os artistas também sentiram

Vários artistas que tiveram a oportunidade de se apresentar no local lamentaram  com a notícia. Como é o caso de diretor da Banda Monster, Matheus Lopes.

Ao Notícias del-Rei, Matheus relata que, para ele, o anúncio do fechamento soou uma nota de falecimento de uma entidade acolhedora, além de um sinal de retrocesso, intimidação e elitismo cultural. 

A banda, que realiza um tributo à Rita Lee, teve sua apresentação no dia 31 de julho. Mesmo com um show simples e equipe reduzida, contaram com grande receptividade do público e uma atenção especial da produção do Void. “Um lugar de energia inigualável em São João” – ainda descreve Matheus.

A DJ e produtora de eventos, Jenny Souza, também lamenta o ocorrido, já que a casa abria portas para que os produtores pudessem fazer suas festas, permitindo grande diversidade de temas. Ela ainda enfatiza que os valores repassados para eles eram bem justos.  

A artista, que não mora mais na cidade, avalia que por mais que sua experiência no Void tenha sido breve, houve um momento histórico da sua carreira como DJ, pois sua última apresentação em São João del-Rei foi lá. 


Imagem de destaque: arquivo pessoal

Edição: Arthur Raposo Gomes

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