
Sarah Castro
Há 26 anos, o Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, uma iniciativa apoiada pela prefeitura do município, cumpre com o objetivo de apresentar a cultura gastronômica regional, nacional e internacional – proposta que convidou, mais uma vez, visitantes de diferentes locais do estado e do país para celebrar a cidade e suas particularidades. Ao todo, foram mais de 200 atrações que aconteceram no último mês, entre os dias 18 a 27 de agosto, em Tiradentes (MG).
Entre idas e vindas do público pelo evento, os três ambientes escolhidos para receber as atividades cativaram o paladar e a percepção dos participantes. A praça da rodoviária, o “Santíssimo Resort” e o “Largo das Forras” investiram nos espaços de maneira refinada e organizada, o que colocou ainda mais em evidência os profissionais escolhidos para atuar na festividade.
A praça serviu como ponto de democratização cultural para aqueles que queriam aprender, degustar e se divertir de maneira gratuita.
Como forma de contemplar essa necessidade social, iniciativas privadas de ensino promoveram o espaço “Cozinha ao Vivo” e o “Espaço Conhecimento”, onde diferentes chefs renomados executaram receitas passo a passo, o que resultou num verdadeiro show de gastronomia.
Nomes como Pedro Barbosa e Michele Crispim, essa últimma, vencedora do programa “MasterChef Brasil”, em 2017, passaram pela bancada como tutores.
O destaque do festival foi consolidado pela participação da melhor chef mulher da América Latina eleita em 2015 pela revista inglesa “Restaurant” Roberta Sudbrack. A chef recebeu os fãs para um momento de afeto depois de sua demonstração “a beleza da simplicidade e as possibilidades infinitas dos ingredientes”.
No “Santíssimo Resort”, a programação foi composta a partir da criação do “Espaço Brasa & Lenha”. O intuito do ambiente era exaltar o fogo como o principal aliado para uma boa receita.
Com isso, o chef Flávio Trombino, do restaurante Xapuri, foi o convidado especial da vez. Além da agenda principal, o local foi disposto por stands de alimentação que comercializavam pratos de chefs independentes, produtos artesanais e de cultivo particular, pequenos mercados, parques de descanso e palco com shows musicais.
Por mais que não houvesse a necessidade de bilhetes para validar a entrada, as pessoas pagavam seus respectivos consumos dentro do evento.
Em uma conversa independente, a arquiteta paulistana Daniela Carelli, elogiou a organização do festival como o ponto mais forte em sua opinião.
Carelli também citou que os seus chefs prediletos se encontravam reunidos no mesmo local, o que incrementou a sua experiência.
Para ela, prestigiar “O Rei do Pastel de Angu”, trabalho da chef Vânia, foi uma realização e tanto. Por fim, a arquiteta que veio de outro estado especialmente para o Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes apontou que os preços da 26ª edição estavam “maravilhosos”, diferentemente dos outros anos.
Já o “Largo das Forras”, na temática “Origem Minas”, apresentou foco nas variedades de produtos artesanais, como geleias, mel, queijos, doces, cachaças, azeite, café, cerâmica, madeira, tecelagem bordado, fibra buriti e doce de leite.
As atividades e a dinâmica cultural do evento agregou à comunidade de uma maneira única.
A população carece de lazer, carece das particularidades municipais, se beneficia do turismo local, se constrói por meio de experiências.
Os espaços, cada um com a sua respectiva característica, ganham vida com as interações pessoais. Esses são os espaços de necessidades e eles precisam ser habitados.
A expectativa para a próxima edição é positiva e alta, tendo em vista a espera do público para dinâmicas inclusivas e, quem sabe, gratuitas de maneira imersiva, para que a comunidade se adapte a novas informações e aproveite por completo a prática, desenvolvendo um papel para além da expectação que parte de uma perspectiva distante.
A cultura atua na disparidade.
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