ARTIGO: LULA E A RECUPERAÇÃO DA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

Foto: reprodução / Ricardo Stuckert

Maiara Sousa

O terceiro mandato do presidente Lula segue a procura de recuperar o espaço do país na política externa e reposicionar o Brasil frente a outros líderes mundiais. Entre o primeiro e o começo do segundo semestre deste ano, o petista já esteve em mais de 10 países, entre eles a China, Argentina, Cuba e EUA, e segue com uma agenda movimentada fora do país.

A presença do chefe de estado, no último dia 19 de setembro, na sessão de debates da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, foi significativa nessa corrida de consolidar a imagem do país frente ao cenário global.

Depois de algumas derrapadas em questões ligadas a guerra da Ucrânia, Lula reformulou falas anteriores relacionadas ao conflito e usou o espaço para defender pautas presentes desde o seu primeiro discurso, em 2003. 

Durante o seu discurso, o presidente deu destaque a temáticas globais, como a fome, desigualdade global, desmatamento, mudanças climáticas e proteção ambiental.

Na ocasião, Lula também reafirmou o seu posicionamento por uma agenda multilateral, e em um discurso que buscou a neutralidade, defendeu a paz e reconheceu a guerra como uma representação do fracasso coletivo e da fragilidade da ONU. 

A verdade é que o país segue tentando reverter o isolamento externo dos últimos anos, recuperar a posição neutra e diplomática frente aos conflitos da atualidade, e fortalecer as alianças comerciais – postura pela qual o país foi por muitos anos reconhecido.

É certo que Lula cometeu equívocos e erros grotescos em relação a política externa brasileira desde o início do seu mandato.

O presidente protagonizou pronunciamentos polêmicos ao afirmar que a Ucrânia, invadida pela Rússia em 2022, tem responsabilidade na guerra, ou quando declarou que os EUA e a Europa possuíam as suas parcelas de contribuição na continuidade do conflito.

Ambas declarações repercutiram fora do país e instigaram pronunciamentos da Casa Branca, do porta-voz para Assuntos Externos da União Europeia e do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. 

Tão certo quanto os últimos equívocos do presidente brasileiro é o seu movimento de retratação em cada um dos pronunciamentos polêmicos. Lula chegou a corrigir as suas falas sobre a guerra, pouco tempo depois, em Portugal. Além disso, o presidente tem se movimentado de forma estratégica para manter a neutralidade brasileira.

No último dia 20 de setembro, em Nova York, Lula e Zelensky se encontraram em uma reunião bilateral pela primeira vez. A avaliação da reunião por quem esteve presente foi de uma reconciliação de ambas partes. No mesmo dia, o presidente anunciou a parceria com o presidente estadunidense Joe Biden para combater a precarização do trabalho.

Lula encara um cenário muito diferente do vivido em seus primeiros mandatos e tem uma realidade difícil.

Apesar de conseguir a reaproximação com outros líderes, contornar os percalços causados no meio do caminho e restabelecer conversas, a dinâmica global mudou e mudou muito.

A política global mudou. E os conflitos também. 


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