
Caroline Santos Teixeira
Praticamente toda quarta-feira, é possível escutar uma conversa em tom de reclamação por parte de moradores do centro histórico de São João del-Rei. O motivo? O famoso “Forró”, evento promovido por um estabelecimento da região, que atrai um público majoritariamente jovem e animado, que vão para beber, encontrar amigos, paquerar e dançar.
As reclamações dos moradores vão desde o barulho e a sujeira que a movimentação causa até o desrespeito ao patrimônio histórico.
Existe ainda quem proteste contra as letras da música que os jovens escutam no local (além do forró). Os mais ferrenhos acusam tais letras de serem “indecentes”, os mais extremistas falam logo que são “pornográficas”.
Por outro lado, há quem questione se a existência de um movimento cultural popular acessível, que reúne diferentes grupos sociais e traz vida ao centro turístico de uma cidade histórica, seja de fato algo tão problemático.
Em uma cidade com pouco incentivo a cultura, com um turismo cada vez mais inerte e com uma grande população jovem, e em parte universitária, tal evento não precisaria de incentivo ao invés de repressão?
Se pensarmos que São João del-Rei tem graves problemas com o incentivo à cultura, de fato, a solução mais lógica seria estimular eventos do tipo. Porém, talvez essa linha de raciocínio não seja tão correta assim, a começar pela premissa.
A ideia de que São João tem dificuldades no incentivo à cultura está de forma conscientemente ou inconsciente na cabeça de praticamente todo morador da cidade. Mas e se esse não for realmente o problema?
Bom, para se ter dificuldades na execução de algo, primeiramente há de existir algum tipo de tentativa para que esse algo exista. No entanto, no município são-joanense, o que se vê na verdade é uma falta de interesse em botar em prática algo que valorize o setor cultural. Aliás, para certas áreas em especial, o que se vê é um boicote generalizado das políticas públicas.
O forrózinho, ainda que mereça algumas críticas e cobranças, nem de longe é o vilão dessa história. É apenas o sintoma de uma cidade que não valoriza a cultura, seja por estar afundada no conservadorismo, seja pelo medo que o poder e visibilidade que tais manifestações pode ofertar aos socialmente excluídos.
Simbolicamente, o forró acontece bem em frente a um dos cartões postais da cidade, mas é ocupado por muitas pessoas que São João del-Rei tenta esconder.
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