
Lívian Alves
2019 foi um ano carregado de sentimentos, mas posso destacar o medo e a incerteza. Qual faculdade escolher? Que curso fazer? Mas e se eu não gostar? Estou disposta a mudar de cidade? Vou me adaptar a morar em outra cidade?
Março de 2020, início de mais um ciclo, tinha tomado a maior decisão da minha vida. São João del-Rei foi a escolhida para fazer acontecer um dos meus maiores objetivos: ser jornalista. A tão sonhada universidade federal no curso escolhido era uma realidade. O medo e a incerteza continuavam aqui, mas o jeito era ao menos me permitir tentar.
Eu só não contava que três semanas depois entraríamos na maior pandemia da história.
Aulas canceladas, isolamento social, milhões de pessoas morrendo mundo afora, e mais uma vez o medo e a incerteza eram os sentimentos que predominavam. Vamos começar a ter aula on-line? Quantas pessoas morreram hoje? Será que tô com Covid? Quando seremos vacinados? Quando a pandemia vai acabar? Quando vão voltar as aulas presenciais?
Setembro de 2020, as aulas remotas começaram a fazer parte do nosso cotidiano, inúmeras reuniões on-line e mais uma vez o medo e a incerteza se faziam presente: medo de ficarmos prejudicados, medo de não conseguir aproveitar quase nada do que a vida universitária tinha para oferecer, a inexatidão de quando eu voltaria – se é que eu voltaria – para São João. Tudo isso aflorava os sentimentos já tão conhecidos por mim.
Abril de 2022, de volta a São João e às aulas presenciais, já vacinada, com flexibilização do isolamento pandêmico, vivendo integralmente a experiência de morar em outra cidade.
Nesse momento me vieram quase os mesmos questionamentos de março de 2020, mas tinha um fator diferente. Depois da loucura de viver uma pandemia e ver a vida passar pelos meus olhos diariamente, tive convicção de queria viver mais intensamente, menos apegada ao medo de me frustrar, porque eu só iria saber o resultado vivendo a prática.
Setembro de 2023, o fim está mais perto do que nunca, finalmente serei jornalista, mas agora vem o maior plot twist: o medo e a incerteza continuam aqui, agora eles estão mais relacionados ao mercado de trabalho. Estou realmente preparada para me formar? Vou ser uma boa profissional? Será que vou conseguir emprego na área que eu gosto?
Esses são só alguns dos incontáveis questionamentos diários. Nesses últimos anos vivi inúmeros episódios que me deixaram amedrontada e incerta, mas que me exigiram um pouco de coragem para vivenciar e ter certeza do meu parecer.
Não sei quase nada sobre a vida, estou descobrindo aos poucos, o medo e a incerteza são comuns, mais do que imaginamos.
Como (quase) jornalista, consigo pensar em uma analogia pertinente: só acharemos boas respostas para nossas perguntas se tivermos boas fontes, na vida funciona do mesmo jeito, a gente só descobre as respostas de nossos questionamentos vivendo eles.
Nós nunca estamos prontos. Que o medo não me anule. Se tiver com medo, vai com medo mesmo. Que a incerteza não me obstrua. Se tiver incerteza, ir buscar nitidez nas vivências diárias.
Me permitir viver. Viver com medo e incerteza faz parte do viver. Viver.
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