ARTIGO: BRUNO LAGE INSISTE EM ERROS E PODE FAZER BOTAFOGO PERDER A TAÇA

Isaque Valle e André Marcos

A temporada do alvinegro carioca começou de forma conturbada, com resultados ruins no Campeonato Carioca que fizeram o então treinador Luís Castro balançar no cargo. Apesar do desempenho abaixo do esperado, o dono da SAF Botafogo, o americano John Textor, manteve o treinador e não deu ouvidos à corneta da torcida.

O resultado desta decisão foi visto a médio prazo: no início do Brasileirão, o glorioso já apresentava nítida evolução, com padrão de jogo bem definido, uma defesa sólida, um meio-campo equilibrado e um ataque letal, resultando em 8 vitórias nas 10 primeiras rodadas.

Em junho, após uma grande vitória contra o Palmeiras, em pleno Allianz Parque, que alimentou de vez a esperança do botafoguense em ser campeão, Castro recebeu uma milionária e tentadora proposta do futebol árabe, em franca ascensão no cenário mundial. Nessa história, o Botafogo ficou a ver navios e o técnico embarcou rumo ao Oriente Médio.

Textor imediatamente entrou em contato com o também português Bruno Lage para assumir o comando técnico do glorioso.

Lage tem experiência na base do gigante Benfica e também no profissional, onde foi campeão português na temporada 2018/19. Além disso, o treinador tem passagem pela maior liga de clubes do mundo: a Premier League, da Inglaterra. Lá, ele treinou o mediano Wolverhampton, que terminou a última temporada no meio da tabela. 

Mas toda essa rodagem na Europa parece não estar fazendo efeito em terras brasileiras, já que por aqui o futebol tem muitas particularidades e desafios que não são encontrados por lá. A tática de primeira linha conhecida por Lage, tem que ser adaptada a péssimos gramados, como aqueles encontrados na Arena MRV – recém-inaugurada, Mineirão, Maracanã, São Januário etc.

Como fazer um jogo com posse de bola num “relvado”- como dizem os portugueses – cheio de buracos? Como fazer para que os jogadores joguem em alta intensidade por 90 minutos no calor insuportável do Rio de Janeiro? Como lidar com a passionalidade do torcedor brasileiro, que quando o resultado não aparece pode apelar até mesmo para a violência? Bruno Lage parece não ter compreendido isso até o momento.

Desde que estreou no dia 19/07, numa partida fraca do Botafogo num empate por 1 a 1 contra o Patronato-ARG, no Estádio Nilton Santos, em jogo válido pela Sul-americana, o treinador acumula 14 jogos, com 4 vitórias, 6 empates e 4 derrotas até o momento.

A torcida reclama que o time de Lage flerta com a derrota em vários momentos das partidas graças a insistência do treinador em ideias que já se mostraram infrutíferas.

Por exemplo, contra o Flamengo, Lage fez a infeliz e inexplicável escolha de colocar no lado direito da equipe, os inexperientes JP Galvão e “Segovinha”, justamente no setor onde ficaria Bruno Henrique, um dos melhores e mais experientes jogadores do rival. O resultado não poderia ser outro: Bruno Henrique marcou no final em jogada nas costas de JP, e o rubro-negro saiu vitorioso pelo placar de 2 a 1.

A torcida reclama que Lage é “cabeça dura”, e suas ações comprovam as críticas. Ele opta por usar Tchê Tchê mais ao lado direito do campo, função que o meia não estava acostumado a fazer no time de Castro e até então não se adaptou a fazer. Na partida contra o Atlético-MG, derrota por 1 a 0 em Belo Horizonte, mesmo com todas as adversidades do gramado, o Botafogo sequer deu um chute a gol, com o meia-criador Eduardo jogando muito recuado e pouco ajudando na construção do ataque.

Fica a pergunta: por que insistir no que está dando errado e não naquilo que estava dando certo? Com sua teimosia irritante, Lage fez o Botafogo perder grande parte da “gordura” construída ao longo do campeonato. Antes eram 13 pontos de vantagem sobre o vice Palmeiras, agora são 7.

Está certo que a vantagem continua considerável e o glorioso ainda é favorito ao título, mas tudo isso está fazendo o torcedor ficar angustiado sem a mínima necessidade. 


Imagem de destaque: Divulgação/Wolves

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