Nathália Siqueira
Como questão de sobrevivência, o ser humano aprendeu a se acostumar com as mais míseras condições de vida. Como questão de evolução, o ser humano aprendeu a querer mais do que apenas sobreviver, então passou a observar, testar, manipular, e criar do zero, as mais incríveis tecnologias.
Ao longo dos séculos, é possível que em algum momento tenhamos decidido não nos acomodar tanto. Nos movemos e enfrentamos desafios que nos colocaram no topo da cadeia alimentar. Mas, engana-se quem pensa que abandonamos completamente a comodidade. Muitas vezes, a rotina e a monotonia nos mantêm em situações prejudiciais para nossa saúde física e mental. Por medo da mudança, continuamos assim.
Como se não bastasse a comodidade parasita, a insatisfação vira e mexe resolve vir fazer companhia para sua rival, nos tornando verdadeiros seres esquisitos. Mudar? Nunca, mas não queremos, ativamente, continuar como estamos. Irônico, não? Um dia a vida é linda, no outro, queremos largar tudo e fugir com o circo. Motivo? Não existe. É um impulso que apenas vem, mas não fica (ainda bem).
Na verdade, existe sim um motivo. O instinto de sobrevivência, nos torna cômodos, isso é fato. Se está bom, por que iríamos mudar? Correr riscos não é bom para a sobrevivência. O problema mesmo é quando estamos incomodados com uma situação que temos como mudar, mas não mudamos. Neste caso, psicólogos devem ser procurados.
De forma geral, comodidade e insatisfação não são como água e óleo. Se misturam tão bem que formam um combustível capaz de nos mover quando necessário, e uma âncora que nos mantém seguros.
Portanto, equilibrar esses sentimentos dentro de nós, pode ser a melhor abordagem para enfrentar a complexa jornada da vida.
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