
Geovana Nunes
As temperaturas em São João del-Rei podem chegar aos 36 graus no fim de semana do dia 23. Mesmo que a primavera tenha começado oficialmente na madrugada de sábado, o calor foi aumentando muito ao longo da semana, conforme publicado pelo Notícias del-Rei.
Nesses tempos tão abafados é muito importante buscar formas de se refrescar. Beber bastante líquido, usar protetor solar e preferir as sombras. Outra maneira de burlar o calor é usar roupas mais leves, mais curtas e aproveitar um dia de piscina ou cachoeira.
Mas se você é ou conhece uma pessoa que tem um corpo diferente dos tão comuns “tamanhos únicos”, provavelmente, ela já comentou com você como é difícil achar roupas.
No shopping da sua cidade, da capital ou on-line, muitos corpos não vão estar incluídos. São roupas muito pequenas no M e são grandes demais no G.
Algumas pessoas não vestem P, nem M, nem G. Talvez elas não vistam 38 ou 40. Mas um número 39. Que não existe!
Assim, as roupas nunca servem direito. Para todo mundo que veste números além do 50, a realidade é ainda mais desanimadora. As lojas de departamento, as lojas mais famosas nos shoppings e na “boca do povo”, começaram há pouco tempo a incluir números maiores nos seus modelos.
Pode ser que sim, no “Lojão” da sua rua você encontre tudo no “3XL”. Quando a gente fala sobre moda, não é só entrar na roupa. Não é só cumprir o papel moral de cobrir a nudez dos olhares públicos. A identidade e a personalidade são muito importantes também.
A sensação de olhar na vitrine e… uau! Aquela blusa é a minha cara! É um deleite morto com um balde de água fria quando o vendedor diz que a loja inteira só vai até o 44.
Só que existem alternativas…
Os brechós

Comprar roupa de “segunda mão” esteve ligado durante anos à vulnerabilidade financeira e como uma prática muito marginalizada e mal vista. Mas já existe um movimento forte de influenciadores digitais falando sobre moda sustentável e quais as peças incríveis que compraram por cinco reais.
Um dos maiores nomes dentro desse tema é a cientista social Nataly Neri. O conteúdo dela é sobre moda vegana e sustentável. Ainda que seja impossível reverter o estrago do consumo exagerado no mundo todo comprando em brechós, é uma forma de encontrar roupas de outras décadas que nem são mais produzidas.
E não é só nas grandes cidades que é possível encontrar bons brechós.
Em São João del-Rei existem vários super interessantes. Barbacena também é um ótimo lugar para encontrar boas roupas de brechó, seja no centro, no Pontilhão ou em bairros mesmo. Você pode ter roupas de tecido importado por 10 reais. Ou uma blusa da Companhia do Terno por apenas cinco.
Como as roupas são usadas e repassadas, e não produzidas para a venda, os tamanhos também são um problema. Até porque os moldes das roupas eram muito menores.
Nessa brecha que existe de modelitos muito pequenos, a SHEIN inova com número até o 7XL.
Mas na prática, não é tão inclusivo quanto parece.
São sim muitas roupas da moda mais recente, como os croppeds, as calças mais largas, vestidos mais colados ao corpo e em cetim, mas ainda carregam em si um certo pudor – principalmente na sessão de biquínis.
O calor pede biquíni, pede piscina e cachoeira. E o corpo pede um biquíni bonito, que deixe uma marquinha legal para você se orgulhar depois,
Na SHEIN comum, sem ser plus size, os modelos são super vivos. Cores lindas e atrativas, estampas com a cara do verão e com preços acessíveis, porque o preço também é muito importante quando se fala na realidade brasileira.
A maioria das pessoas do nosso país não têm R$ 150 para comprar um biquíni feito com algodão da agricultura familiar, colhido por mulheres em vulnerabilidade e cuja parte do lucro vai para alguma ONG que luta contra as mudanças climáticas. O salário mínimo no nosso país é R$ 1.320.
Até setembro de 2022, 67% de todos os trabalhadores com carteira assinada ganhavam no máximo dois salários mínimos, que na época era 2.424 reais. Esses dados da Pesquisa Nacional por Domicílio (PNAD), realizada pelo IBGE, não consideram trabalhadores fora da CLT. Ou seja, quantas milhões de pessoas recebem bem menos do que isso?
Ainda assim, a SHEIN não é tão acessível para corpos além do XL. Porque os modelos de biquíni mais recente, quando tem algum tamanho plus size, o preço é maior.
Como já foi dito, a moda é parte da identidade das pessoas e, além disso, ela se dá por temporada. Muda super rápido quanto às tendências e o que está sendo usado pelas pessoas.
No calor, a vontade é usar mesmo um biquíni que mostre o corpo ao invés de escondê-lo. Mas a maior parte das opções plus size são pouco joviais e muito conservadoras. E mesmo os modelos que se assemelham ao que está em alta são pouco confortáveis.
Alças finas demais para sustentar seios grandes. Com o peso deles, as amarrações no pescoço muitas vezes machucam quem está usando.
Se o preço é mais alto, faz sentido cobrar que o conforto seja alto também.
Compras na SHEIN ainda podem implicar na taxação de impostos. Tem a possibilidade de comprar com “envio nacional”, ou seja, por lojas que estejam no Brasil. Mas os preços são ainda mais elevados e algumas opções têm apenas tamanho único.
Muitas pessoas gordas e pessoas mid (que vestem entre 44 e 48) já não querem mais esconder seus corpos como se fossem errados. Elas querem sim usar o biquíni cavado que está em alta entre as influenciadoras pelo mesmo preço que uma pessoa que veste números menores paga.
Os corpos querem poder curtir o calor com liberdade, com conforto e poder acessar o verão na sua totalidade.
E eles têm esse direito.
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