ARTIGO: AFINAL, O QUÊ NOS FORMA ENQUANTO PESSOAS MODERNAS?

Mateus Castro

A música de Milionário e José Rico – “Nesta longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar” – relata mais do que uma trilha sonora sertaneja do Brasil, mas também a nossa vida moderna. Vejamos a didática do cotidiano. A cada dia da vida moderna, temos mais compromissos e obrigações e menos tempo livre.

Mas afinal, isso é válido?
Como está nosso interior?

Diariamente somos bombardeados com diversas informações e cobranças. Logo quando amadurecemos, um dos primeiros aprendizados é ter um filtro social. Isto é, pensarmos na nossa cabeça como um computador. Assim, temos dois ouvidos: por um lado, entraria uma certa informação, passaria pela nossa cabeça, o quê for produtivo absorveríamos, o que não for, sairia pelo outro ouvido. 

A verdade é que não podemos nos deixar ser transformados em robôs. acordar, trabalhar, comer e dormir: isso torna-se um ciclo, onde ficamos presos em um looping infinito.

É necessário quebrar o ciclo – que seja com novas experiências, desafios e quem sabe algo simples: uma parada para respirar. E sim, às vezes, é mais fácil aceitar a dura realidade do que lutar contra o que é “imposto”.

Recordo-me de uma discussão entre conhecidos acerca da atividade laboral: de uma análise macro como ela nos rouba a vida. Isso mesmo, o proletariado vende sua força de trabalho, mas também uma parte de sua vida.

Para além do tempo médio das 8 horas trabalhadas (ou mais), fornecemos também o tempo de deslocamento, nossa energia e raciocínio. Quando retornamos para casa, não somos mais os mesmos que saímos, já que parte de nós fica no trabalho e parte do trabalho vem conosco – em um fusão de ambientes.

Ao chegarmos em casa é necessário virar a chave, mas isso não ocorre de forma automática.

Lembramos do que fizemos no dia, dos desafios que tivemos, dos desafetos ou ilusões que tivemos. Sem considerar que na era digital, o celular e computador nos lembram da nossa vida de “trabalhador”.

Então, para tentar distrair podemos sair um pouco para um show, com família, amigos, bar, ou afins. E aí, por incrível, que pareça alguém vem perguntar como está o trabalho. E apesar do ambiente ter quebrado o clima, voltamos nesse loop.

O trabalho para além do nosso tempo leva um pouco da nossa vida.

Recordo-me de um amigo do meu pai que falou: “ Acabamos com a saúde trabalhando, e gastamos o pouco que ganhamos para tentar ter uma saúde melhor”. 

O conceito de qualidade de vida: gostaria de ver mais pessoas que conhecem ele em plenitude.

Apesar de parecer muito utópico, cada vez menos estamos conectados com o mundo, sociedade, família e religião. Acredito que esses são os pilares de nós enquanto seres humanos.

O que nos difere dos animais é justamente a nossa humanidade pautada nos quatro pilares. 

O primeiro faz parte na nossa existência enquanto ser enquanto membros de um sistema globalizado: o quê acontece do outro lado do mundo, ou na cidade vizinha, nos afeta – diretamente ou indiretamente, até pelo fato de seremos consumidores de informação.

Sobre a sociedade, já dizia Rousseau, “o homem é um produto do meio, sociedade, e educação que recebe”. Logo somos formados por esse conjunto que nos molda, forma, educa e dá uma direção. 



Quanto a família, vejamos, existe uma série de ponderações a se fazer: A primeira é sobre os dois ramos: (1) família por ligação sanguínea e doméstica, ou seja, pessoas que descendem do mesmo ancestral. E (2) família por ligação afetiva, isto é laços.

Fato é que para compreender parte do eu, deve-se entender a família: nossas manias, erros e comportamentos. Além disso, nossa primeira visão de mundo é fornecida por eles, ou seja, em uma fase inicial somos formados pela “mochila cultural” deles.

E por último, a religião. Existe religião no século 21? Sim, existe.

Quando falamos de religião, no caso, usaremos como base a católica. No senso comum, hoje, tem um receio pela mesma.

Fato é que ao analisar o percurso histórico, pessoas que se diziam religiosas, “pessoas de bem” usaram desse discurso para fazer barbáries na sociedade. Desta forma, ao longo do tempo fica um estigma.

Hoje ainda tem-se comportamentos questionáveis. Mas, de forma direta, é necessário permitir-se conhecer a vida religiosa. Para criticar algo é necessário conhecer bem para falar onde estão os desvios e onde eles começam.

Hoje poucas pessoas permitem essa experiência. Os motivos podem ser vários: medo, experiências superficiais, aversão, interesse e até a questão do tempo roubado pelo trabalho, claro não podemos esquecer dele. 

Não se pode iludir que será uma vida perfeita, obviamente que não. Volto na tecla de que a religião é construída por pessoas sujeitas ao erro. Mas em suma, quando vai caminhando, de forma gradual e lógica, percebe-se como a vida pode ser diferente.

É preciso pensar sobre…

O convívio social com as demais pessoas: isso é a ideia de igreja.

O trabalho como uma forma de se manter suas necessidades de sobrevivência, mas não como um meio que suga sua energia de vida.

Família é um ponto de partida no mundo fazendo parte da nossa formação e de extremo respeito.

E sobre nosso comportamento, em inspirado pela passagem de Coríntios.

“Tudo posso, mas nem tudo me convém” .


Imagem de destaque: reprodução / Freepik

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