RELEMBRAR E RESISTIR FORAM TEMA DE EVENTO SOBRE O MOVIMENTO LGBTQIAP+

Ana Clara Leitão e Geovana Nunes

Na tarde dessa terça (dia 19), o Museu Regional de São João Del Rei promoveu uma discussão sobre “Memória do Movimento LGBTQIAP+”. 

A iniciativa faz parte da “Primavera dos Museus”, um evento anual coordenado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Ele também escolhe qual assunto vai ser trabalhado por todos os museus do país. Nesta edição o tema escolhido foi “Memórias e Democracia: pessoas LGBT+, indígenas e quilombolas.

Imagem: divulgação

O convidado foi o jornalista e mestre em Teoria Literária e Crítica da Cultura pela Universidade Federal de São João del-Rei, Carlos Bem. Integrante do Movimento Gay da Região das Vertentes e especialista em antropologia, Carlos tem estudos sobre a realidade do interior das cidades históricas de Minas Gerais.

Foto: Ana Clara Leitão

O evento começou com colocações do convidado sobre as dificuldades da comunidade LGBTQIAP+ durante o período da ditadura e também durante a década de 80, na qual os casos de HIV eram diretamente ligados a pessoas que se relacionavam com indivíduos do mesmo sexo. 

Durante a palestra, Carlos evidenciou toda a luta da comunidade LGBTQIAP+ no município.

É importante contarmos a história principalmente em uma cidade histórica como São João del-Rei, na qual muitas vezes a narrativa é contada de um ponto de vista errado”

– apontou.

O palestrante relatou o progresso que São João del-Rei obteve a partir da luta dos LGBTQIAP+. Desse modo, a “cidade dos sinos” é identificada como o município de Minas Gerais  com mais leis que protegem e amparam indivíduos da comunidade, sendo a primeira cidade a realizar o Conselho Municipal de Direitos LGBTQIAP+ em 2013.

Casamento homoafetivo

Nessa terça (dia 19), a Câmara dos Deputados retoma a votação da emenda 5167/2009, que altera o  PL 580/2007, lei que garante o casamento homoafetivo.

Se aprovada a emenda o Brasil se junta ao grupo de 12 países dentro da Organização das Nações Unidas (ONU) que não realiza casamentos entre pessoas do mesmo gênero, apenas uniões estáveis.

Fonte: reprodução / Poder 360

A conquista do direito ao casamento LGBTQIAP+ é do ano de 2011: data quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu as uniões entre pessoas do mesmo gênero como família. 

A importância da memória

Em entrevista ao Notícias del-Rei, Carlos Bem fala qual a importância da memória nesse processo que envolve conscientização pública, mobilização da comunidade e pressão política.

“Ao lembrar as conquistas do Movimento LGBT+, as pessoas podem perceber o progresso que foi feito em termos de igualdade de direitos. Isso pode incentivar mais pessoas a apoiarem essas conquistas e a resistir a retrocessos”, diz. 

A busca por justiça e reparação é parte da luta de movimentos sociais, incluindo o LGBTQIAP+. Quanto a isso, Carlos Bem reforça a memória como parte central nesse processo.

“A memória da luta LGBT+ desempenha um papel essencial na busca pela justiça e reparação histórica, bem como na promoção de uma sociedade mais igualitária e inclusiva para todas as pessoas, independente de sua orientação sexual, identidade ou expressão de gênero”, reflete.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil, a expectativa de vida de pessoas trans e travestis é de 35 anos. Enquanto a expectativa para pessoas que não se identificam enquanto trans e travestis é, em média, 76,2 anos.

Fonte: Antra

Para Carlos, é essencial combater a transfobia a partir da memória e vivência dos indivíduos trans. Assim, é importante que se lembre das trágicas estatísticas de expectativa de vida para destacar a urgência da questão.

Agenda

A pauta estará sendo discutida também nesta quarta (dia 20), às 19h, no Museu Regional, a partir de um momento com o seguinte tema: “Como retornar a realização das paradas LGBTI em São João del-Rei e na Região das Vertentes?”.


Imagem de destaque: Ana Clara Leitão

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