Gabriela Moraes e Luisa de Lucena
Em 1933 nascia, ainda como bloco, o “Grupo Recreativo Escola de Samba Bate-Paus“: a agremiação mais antiga ainda em atividade da cidade de São João del-Rei. A escola chega aos seus 90 anos cumprindo com maestria o papel de perpetuar a identidade e memória da comunidade que representa: o bairro Senhor dos Montes.
Falar da GRES Bate-paus é falar da história do Carnaval são-joanense e do Brasil.”
– afirma o jornalista Mauro Lovatto.
Como tudo começou
De acordo com o integrante mais antigo da escola e filho de um dos principais fundadores, Jacyr Agostinho Andrade – o “seu Jaci” – ou ainda, para os mais íntimos, o “Beleléu” – tudo começou na virada da década de 20 para a de 30.
Na época, havia o bairro um grupo de amigos que organizava uma brincadeira chamada “boi”, em que alguém saía com uma carcaça bovina na cabeça, acompanhado de uma aglomeração que cantava e tocava instrumentos para “assustar” os outros e convidá-los para se juntar a zombaria.
Nas memórias do Beleléu, o “grupo do boi” saiu por uns três anos, até que, no carnaval de 1933, os amigos decidiram sair do bairro e se apresentar no centro histórico, onde acontecia o desfile das escolas de samba.
Na ocasião, eles saíam como “Rancho“, forma popular dos jovens participarem da festa enquanto a elite são-joanense celebrava no “Club X” com carros motorizados, fantasias e clarins.
Na época em que o “Rancho do Senhor dos Montes” desfilou pela primeira vez, a cidade tinha cerca de 20 mil habitantes e vivia o auge das fábricas de tecidos, que representavam boa parte da economia da cidade. Desse jeito, a “Bate-Paus” desfilou por cerca de 20 anos, até que, na década de 50, se tornou bloco.
Com a mudança, veio a chegada do elemento definitivo que é marca registrada da agremiação: os batedores de paus, que eram um grupo de jovens que se divertia no local fazendo uma coreografia ritmada com os instrumentos.
Além disso, veio a opção pelas cores verde e rosa no primeiro desfile como bloco, cores inspiradas na “Estação Primeira de Mangueira”, escola que também trazia para o carnaval a força da comunidade periférica.
Confira algumas imagens!
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, a “Bate-Paus” conquistou alguns títulos, tanto como bloco (em 1985, 1986 e 1988), quanto como escola de samba (em 2014 e 2017). Alguns dos principais enredos desfilados foram “História da Rádio São João”, “Mil e uma noites” e “Tancredo Neves”.
Hoje em dia
Atualmente, a escola enfrenta desafios, como a falta de um espaço fixo para seus ensaios, que, há alguns anos, eram realizados na quadra comunitária do bairro e que, agora, são feitos na Praça ou em ruas do bairro.
Ainda assim, a agremiação realiza eventos ao longo do ano para arrecadar recursos e se mantém sendo um ponto de encontro da comunidade em torno do samba e da cultura popular.
Hino
Ao longo desses anos, o samba apresentado pela “Bate-Paus” que se consagrou como um clássico é ‘’Falaram tanto’’, de Wilson Tirapelli.
Falaram tanto que o nosso bloco acabou
Deixa falar quem quiser
quem tem boca fala o que quer”
Documentário
A diretoria da “Bate-Paus” está produzindo um documentário para registrar todos esses anos de trajetória.
O documentário “Memória da Verde e Rosa” está sendo gravado desde antes da pandemia do Covid-19 e contará com os depoimentos de pessoas que fizeram parte dessa grande história.
Edição: Lucas Magelle
Imagem de destaque: arquivo pessoal




