CRÔNICA: UM ENCONTRO ESCOLHIDO DAS ESTAÇÕES

Dávila Martins

Era uma manhã de outono, daquelas em que o céu azul se misturava com as folhas douradas que caíam das árvores. O frio da madrugada ainda se faz presente, mas o sol promete aquecer a cidade ao longo do dia. No entanto, algo inusitado aconteceu no metrô de uma das estações mais movimentadas da cidade.

Na correria típica, os passageiros se amontoavam nas plataformas, ansiosos para chegar ao trabalho ou às aulas. Os fones de ouvido eram quase onipresentes, e as caras sérias refletiam a rotina que todos conheciam tão bem.

Foi então que aconteceu uma surpresa.

Dois músicos de rua, aparentemente desconhecidos do outro, ocuparam espaços opostos na plataforma. Um deles, um senhor de cabelos brancos e um violino, começou a tocar uma melodia suave que fez com que alguns passageiros parassem por um momento para ouvir. Seus dedos ágeis deslizavam pelas cordas, criando uma atmosfera mágica.

Do outro lado da plataforma, uma jovem de cabelos coloridos segurava um violoncelo e, sem aviso prévio, começou a acompanhar o senhor com uma harmonia perfeita. Seu instrumento emitia notas profundas que se entrelaçam de forma sublime com o violino do senhor.

Os passageiros que passavam apressados ​​agora diminuíram o passo. Olhares curiosos se transformavam em sorrisos e aplausos espontâneos. Era como se o metrô, um lugar normalmente associado à pressa e ao estresse, tivesse se transformado em um palco para a beleza da música.

No momento em que os alto-falantes anunciaram a chegada do metrô, o senhor e o jovem pararam de tocar, sorriram um para o outro e se despediram com um aceno de cabeça. Cada um deles seguiu seu caminho, mas deixou para trás uma plataforma repleta de pessoas que, por alguns minutos preciosos, foram esquecidas do mundo ao seu redor.

Às vezes, a beleza do cotidiano fica escondida nas surpresas mais inesperadas, como um encontro escolhido de estações no coração de uma cidade em movimento.


Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik

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