Maria Paula Santiago
A arte é apaixonante mesmo passando por diversos desafios. É coisa de alma. Quem a produz certamente se sente leve, livre e seguro de si. O artista se expressa e o público aprecia. Todavia, certas manifestações também podem gerar uma repercussão negativa, ainda mais quando se trata de uma artista mulher alcançando seu espaço em eventos prestigiados.
Exemplo disso é a onda de comentários ofensivos que Marina Sena está recebendo após sua apresentação no festival The Town, em São Paulo. Ao homenagear Gal Costa, contou com um repertório de vários sucessos como “Nada Mais”, “Dê um Rolê” e “Força Estranha”. Um momento único que demonstrou a potência dos novos cantores de MPB, que utilizam a cena para reverenciar artistas que tanto contribuíram para a cultura brasileira.
Mesmo com sua identidade musical e voz única, sua participação foi mal vista por parte da internet, principalmente quando recitou “Meu nome é Gal” juntamente ao solo de guitarra. Vários navegadores iniciaram uma série de piadas e críticas à performance de Marina, demonstrando mais uma vez que as redes sociais são armas nas mãos daqueles que não sabem usá-las.
Mas a cantora não abaixou a cabeça.
Visto que ao longo da sua trajetória já passou por várias contradições, entendemos que sua luta por reconhecimento não vai parar por aqui.
A mineira ainda deixou um recado em uma de suas redes sociais para todas mensagens negativas que recebeu.
Casos como esses nos mostram como pessoas, sejam elas famosas ou não, sofrem ataques diariamente na internet, refletindo a grande intolerância que vivemos.
Se as pessoas não compreenderem que existem diferentes timbres, interpretações e formas de fazer arte, a sociedade claramente não estará preparada para receber os novos artistas que darão voz e continuidade à cultura brasileira.
Imagem de destaque: reprodução / Instagram – @thetownfestival
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