Arthur Raposo Gomes
O Dia do Jornalista passou. Como sempre passa. Teve mensagem no WhatsApp, post no Instagram, alguma lembrança de faculdade, gente marcando gente. Um ou outro texto mais caprichado. E, no meio disso tudo, pauta. Prazo. Texto pra fechar. “Porque jornalista não para, né?”.
O jornalismo não tem muito tempo pra olhar pra si mesmo. Quando tem, geralmente já tem outra coisa acontecendo. Outra coisa mais urgente. Outro assunto que alguém precisa entender. E é meio isso.
No fim, o trabalho está no que vem antes e no que vem depois. Na apuração que não aparece. No contato que não atende. No dado que não fecha. No título que parece bom, mas ainda não é.
Tem dia que rende. Tem dia que não rende nada.
Tem matéria que circula, tem matéria que passa quase batida. Mas sempre tem alguém lendo. Às vezes mais gente do que parece. Às vezes menos do que deveria. Faz parte.
E tem o peso também. De errar. De acertar por pouco. De publicar algo que mexe com gente de verdade. Em cidade grande já é complicado. Em cidade média, então, tudo chega mais perto. Todo mundo conhece alguém. Toda pauta encosta em alguém.
E, mesmo assim, tem que fazer.
Tem também esse tempo meio estranho em que a gente trabalha. Informação vem de todo lado. Tudo muito rápido. Tudo muito imediato. E, no meio disso, o jornalismo tentando segurar alguma coisa que faça sentido. Nem sempre consegue. Mas tenta.
Não tem muito glamour nisso. Nem sempre tem reconhecimento. Mas tem insistência: de continuar, de organizar minimamente o que está acontecendo e, talvez, principalmente, de não deixar tudo virar só ruído.
O Dia do Jornalista passou. E, sinceramente, ainda bem.
Porque o trabalho continua no dia seguinte.
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