ARTIGO DE OPINIÃO: SE AS REDES INFORMAM MAIS QUE A TV, A ELEIÇÃO DEFINITIVAMENTE MUDOU DE LUGAR

Arthur Raposo Gomes

A pesquisa divulgada pela Genial/Quaest, nessa quarta (11), trouxe um dado que chamou atenção nos bastidores da política: em um cenário estimulado de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem empatados numericamente, com 41% das intenções de voto. Mas há um outro dado no levantamento que talvez seja ainda mais revelador sobre a eleição que se aproxima.

Quando perguntados sobre como se informam sobre política, os entrevistados apontaram as redes sociais como principal fonte: 39%. A televisão aparece logo atrás, com 35%. Depois vêm sites, blogs e portais (9%) e rádio (3%). Esse número ajuda a entender melhor o terreno em que a disputa eleitoral de 2026 será travada diante do eleitorado brasileiro.

Durante décadas, o centro da Comunicação Eleitoral no Brasil esteve concentrado na televisão e no rádio. As campanhas eram pensadas para o horário eleitoral, para entrevistas em telejornais e para os debates organizados pelas emissoras. Era ali que boa parte da narrativa pública se estruturava. Hoje, esse eixo mudou.

A política passou a circular em um ambiente muito mais fragmentado, acelerado e menos mediado. A informação chega em forma de vídeo curto, recorte de fala, comentário em grupo de WhatsApp ou postagem que viraliza em poucas horas.

A rede mundial de computadores, enquanto meio de comunicação, ampliou o acesso à informação. Mas também abriu espaço para problemas conhecidos: desinformação organizada, circulação de conteúdos manipulados, ataques coordenados e discursos de ódio dirigidos, muitas vezes, a grupos minorizados.

A lógica das plataformas digitais favorece impacto e engajamento. Conteúdos que despertam emoção (indignação, medo e revolta são os mais comuns) tendem a circular mais rapidamente do que explicações mais completas. Em períodos eleitorais, esse mecanismo pode distorcer o debate público.

Nos últimos anos, o Brasil assistiu ao crescimento das chamadas fake news (em tradução literal, notícias falsas – ou ainda mentiras) e também ao uso cada vez mais articulado de estratégias de manipulação de informação. Vídeos editados, conteúdos fora de contexto e campanhas de desinformação passaram a fazer parte do cenário eleitoral.

O problema é que as redes sociais ainda operam com níveis limitados de regulação quando comparadas aos meios tradicionais. Enquanto rádio e televisão seguem regras claras durante o período eleitoral, as plataformas digitais funcionam em um ambiente muito mais difuso. Isso coloca novos desafios para a Comunicação Política.

Para campanhas, significa lidar com um território onde narrativa, velocidade e reação rápida se tornaram centrais. Para instituições eleitorais, surge o desafio de monitorar práticas que muitas vezes acontecem em escala massiva e em tempo real. E para o eleitor, cresce a responsabilidade de distinguir informação de manipulação.

A pesquisa da Genial/Quaest, fala sim sobre intenção de voto. E não, pesquisa de intenção de voto não é uma previsão do futuro: ela pode ser mais assemelhada como um registro daquele momento. Ou seja, o jogo eleitoral brasileiro de 2026 não está definido.

Mas, de qualquer forma, um levantamento desse tipo aponta onde a disputa pela opinião pública está acontecendo. E, cada vez mais, essa disputa passa pelas redes.


Imagem de destaque: criação feita via-ChatGPT pelo Notícias del-Rei.

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