EDITORIAL: QUEM INFORMA TAMBÉM PRECISA SER OBSERVADO

Antes de perguntar o que está sendo noticiado, cada vez mais gente quer saber (e na verdade, precisa saber) algo básico: quem está por trás da notícia.

Desde que o Notícias del-Rei foi lançado, há pouco mais de dois anos, uma página aparece com frequência entre as mais acessadas do portal: a seção “Quem Somos”. À primeira vista, nem parece notícia. Mas isso diz bastante sobre o tempo em que vivemos.

Em meio a tantas informações circulando o tempo todo, muitos leitores querem saber algo simples antes de consumir conteúdo: “quem está falando?”. Não é uma pergunta qualquer.

A Comunicação Social nunca foi atividade neutra. Veículos de imprensa têm linha editorial, fazem escolhas e possuem estruturas econômicas por trás. Saber quem financia, quem dirige e quais interesses orbitam um projeto de mídia ajuda a compreender melhor aquilo que está sendo publicado.

Nos últimos tempos, o Campo das Vertentes tem acompanhado movimentações para a criação e estabelecimento de novos projetos de comunicação – entre eles, a articulação de uma nova emissora de rádio – ao mesmo tempo em que certas práticas antigas, antes criticadas, votam a serem incorporadas no cenário local. Em tese, o surgimento de novos veículos pode ampliar o debate público.

Mas quantidade, por si só, não garante pluralidade.

A história da Comunicação no Brasil mostra que muitos meios de mídia surgiram vinculados a projetos de poder – político, econômico ou de influência local. Em cidades do interior, isso costuma ser ainda mais sensível. Relações pessoais, interesses institucionais e disputas políticas frequentemente caminham muito próximas.

Por isso, observar quem são os donos da mídia, quais os vínculos possuem e quais projetos estão em jogo também faz parte do exercício democrático.

Aqui no Notícias del-Rei, desde o início, sempre consideramos importante deixar isso claro. Quem somos, quem faz o portal e de onde falamos. É um princípio: afinal, transparência também faz parte do jornalismo.

Uma imprensa local forte se constrói, não apenas com mais veículos no ar ou mais páginas nas redes: exige compromisso público, independência editorial e clareza sobre os interesses que fazem parte da aura de cada iniciativa.

No fim das contas, a lógica é simples: quem informa a cidade também precisa estar disposto a ser observado por ela.


Edição: Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik

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