ARTIGO DE OPINIÃO: ELEIÇÕES 2026 – COMO RUAS, RÁDIOS E REDES MONDAM O VOTO NO INTERIOR

Arthur Raposo Gomes

Alguns analistas, cientistas políticos e profissionais de Comunicação, no Brasil, insistem em olhar para o país a partir das capitais. Mas a política, quando chega às urnas, é decidida também – e muitas vezes sobretudo – nas cidades médias e no interior. Minas Gerais ilustra bem essa realidade: são 853 municípios, muitos fora do radar das grandes campanhas, mas com eleitorados decisivos na soma final.

As cidades médias concentram boa parte da complexidade da vida política brasileira. Não têm a multiplicidade de agendas das grandes metrópoles, mas também não se resumem às dinâmicas locais das cidades pequenas. São espaços híbridos: abrem-se às redes digitais, abrigam diversidade social crescente, mas preservam vínculos comunitários e lideranças tradicionais. Ignorar esse terreno é não compreender uma fatia central do voto brasileiro.

Em 2026, o interior voltará a ter papel determinante. É ali que slogans como “eficiência administrativa” ou “defesa de valores” encontram eco. Mas também é ali que políticas públicas concretas – saúde, assistência estudantil, infraestrutura, apoio à agricultura familiar – fazem diferença imediata no cotidiano. Uma campanha que se concentre apenas em grandes centros ou em discursos genéricos perde contato com o que realmente move esses territórios.

A Comunicação Política nesses espaços exige sensibilidade. Não cabe enxergar “pensamento interiorano” de forma pejorativa: é nos municípios que a vida acontece, que demandas se materializam e onde são construídas percepções de presente e futuro. Nas cidades médias, a rua continua sendo palco de legitimidade: feiras, praças e eventos seguem influenciando a opinião pública. O rádio mantém peso, principalmente em regiões menos conectadas. E as redes sociais cumprem o papel de ponte entre interior e centro, dando visibilidade nacional a pautas locais. A combinação desses meios mostra por que campanhas precisam ser pensadas de forma multiterritorial.

Para o campo progressista, o interior é um espaço de disputa simbólica e prática. É ali que políticas de inclusão precisam ser traduzidas em resultados palpáveis: o ônibus escolar que chega, o posto de saúde que abre, o crédito que garante produção na agricultura familiar. Isso é política pública na veia. A eleição de 2026 exigirá mais do que narrativas nacionais: será preciso reconhecer o valor estratégico das cidades médias e do interior na construção de um projeto de país.

Esses territórios não são apenas estatísticas em tabelas eleitorais. São espaços de vida, cultura e decisão. Quem quiser vencer daqui a um ano, em outubro de 2026, terá de enxergá-los não como apêndices do mapa, mas como coração da democracia brasileira.

O futuro da política nacional passa, inevitavelmente, pelas ruas e vozes que ecoam fora das capitais.

Aguardemos o passar dos dias…


Imagem de destaque: Arthur Raposo Gomes

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Texto inicialmente e também publicado no jornal “Brasil de Fato MG”.

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