Arthur Raposo Gomes
O WhatsApp é, talvez, a maior praça pública que nunca existiu. Só que, em vez de coreto, tem notificações; em vez de sinos, há os toques insistentes de grupos pela madrugada. Ali, as histórias aparecem, crescem e desaparecem com a mesma velocidade de um meme mal editado.
No grupo da família, o bom dia ilustrado com flores, ou aquela figurinha feita a partir de uma foto e um “bordão”, tem mais presença que qualquer debate sério.
No grupo da faculdade, os áudios intermináveis parecem vir diretos da Idade Média – longos, arrastados e difíceis de decifrar.
Já nos grupos de amigos, reina o meme: é ele quem salva a noite de terça chuvosa, quem devolve a leveza após um longo dia de estágio, trabalho e aula.
Mas é também pelo WhatsApp que as notícias mais delicadas chegam: uma morte, um acidente ou mesmo uma reviravolta política que vai fazer os membros do grupo se mobilizarem noite a dentro. O aplicativo atravessa a madrugada como mensageiro implacável. E antes mesmo que se tenha tempo de digerir, já vem outra enxurrada de mensagens, links, figurinhas e coisas do tipo.
Tudo nasce e morre ali dentro. O que hoje é assunto quente, amanhã, muito provavelmente, será esquecido, enterrado no histórico de mensagens que ninguém mais vai rolar até o fim.
Mas o WhatsApp segue firme, como palco de pequenas tragédias e comédias do cotidiano: sendo a crônica viva de uma mão que tenta segura o mundo.
Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik
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