Larissa Lacerda
“Um ser humano deve transformar informação em inteligência ou conhecimento. Tendemos a esquecer que nenhum computador jamais fará uma nova pergunta” – a afirmação da cientista da computação e pioneira em programação Grace Hopper abre uma reflexão sobre a forma com que os conteúdos midiáticos são consumidos na atualidade. A internet faz seu papel de democratizar a informação, mas, ao mesmo tempo, o fácil acesso a um grande volume de conteúdos rápidos e superficiais gera consequências no desenvolvimento cognitivo, na capacidade de fazer análises profundas e de desenvolver pensamento crítico.
O levantamento TIC Kids Online Brasil 2024 revela que 83% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos têm acesso a redes sociais, o que confirma que a imersão online precoce é comum no dia a dia juvenil. Um estudo feito pelo psicólogo e professor do Centro Universitário Maurício de Nassau Paulista (UNINASSAU), Cleyson Monteiro, explica que a sobrecarga de informações no cérebro causada pela atenção fragmentada, proveniente do uso excessivo de redes sociais, podem levar ao desgaste mental. Ocorre que a fadiga mental afeta a liberação de dopamina e aumenta os níveis de cortisol no organismo. Resultando em um cansaço mental e esgotamento constantes. Logo, “o usuário recorre às redes sociais para a liberação de mais dopamina, criando-se assim um ciclo vicioso no qual o cérebro busca compensações infinitas por meio de pequenas doses do hormônio do bem-estar”, diz o pesquisador.
Outro fator que agrava o vício nas redes é a necessidade de inclusão, a grande quantidade de conteúdos disponíveis faz com que novos assuntos surjam a todo momento. Na atualidade, o medo do isolamento sucede na necessidade de reter o máximo de informações possíveis para se sentir incluído socialmente. Márcia Karine Monteiro, neuropsicopedagoga, psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia do UNINASSAU, também destaca sobre a auto cobrança em relação a vida e imagem perfeita impacta na saúde mental dos jovens. “O intuito deles é atingir os padrões estabelecidos pela sociedade. Porém, grande parte das publicações são fotos editadas com filtros aplicados nas paisagens, no corpo e no rosto”. Ademais, tais alegações são presentes não só na juventude mas também na vida adulta.
Portanto, é possível observar que a sociedade atual tende a navegar até os olhos cansarem, sem de fato absorver informações. A internet estimula, mas não aprofunda, e cabe a nós transformarmos informação em conhecimento. O ser humano consegue criar até onde o repertório dele chega e a partir dele é possível perceber que muitas coisas já foram criadas, enquanto viver no automático tira a sensibilidade de criar algo original e com propósito.
O desafio é aprender a não só consumir, mas reter as informações. Experiência sem presença é só ruído, não se transforma em nada.
Supervisão: Paulo Henrique Caetano
Edição: Arthur Raposo Gomes
Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik
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