Lucas Simões
“O espaço público é o lugar do encontro do convívio da cidadania.” é uma frase do sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira que fez diversas análises sobre urbanização e cidadania. A partir dessa citação, podemos argumentar que mesmo que a cidade de São João del-Rei (MG) seja um ponto turístico e cultural, nota-se a falta de lugares públicos de lazer e de esportes para a sua população local. Para contextualizar o porquê desse problema existir deve-se entender que como a cidade é um centro urbano tombado, isso limita a criação de novos espaços públicos. Ademais, um ponto importante é a expansão urbana sem planejamento. Os novos bairros nas áreas mais distantes frequentemente carecem de instalações essenciais, como praças, campos de esporte e parques bem situados para atender àquela população, o que os força a percorrer longas jornadas para acessá-los.
A carência de espaços apropriados fica evidente nos bairros da periferia. Diversas comunidades, a exemplo de Senhor dos Montes, Tijuco ou Vila Belizário, lutam contra a dificuldade de acesso a praças, campos e áreas de lazer, levando jovens e crianças a procurar opções inadequadas ou a se distanciar de atividades saudáveis. Outro problema é a precariedade dos equipamentos antigos ou mal utilizados. Como consequência dessas adversidades, cria-se uma desigualdade social, já que a falta de espaços públicos para lazer e esporte afeta principalmente a população das periferias. A falta desses espaços afeta a saúde da sociedade, com menos oportunidade para atividades físicas pode acarretar aumento de sedentarismo, obesidade e problemas de saúde mental.
Entretanto, não é porque existe essa falta de espaços públicos, que eles não existam. Um ótimo exemplo é o Bosque da Mãe d’Água e algumas praças centrais são pontos positivos, mas muitas vezes não são suficientes para a demanda ou não são acessíveis a todos. Outro ponto para se discutir é incentivar políticas públicas municipais voltadas à ampliação de equipamentos públicos, além de parcerias com universidades locais, como a UFSJ, para projetos de extensão nessa área.
Para resolver essa questão deve-se discutir um mapeamento participativo, que envolve a comunidade na identificação de locais para novos espaços. Deve-se promover a revitalização de áreas degradadas que utilizam terrenos abandonados para criar espaços de lazer. Projetos culturais e esportivos itinerantes que levam atividades a regiões sem equipamentos fixos.
Supervisão: Paulo Henrique Caetano
Edição: Arthur Raposo Gomes
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