ARTIGO DE OPINIÃO: O JORNALISMO POLÍTICO É UM PILAR INVISÍVEL DA DEMOCRACIA

Arthur Raposo Gomes

Em uma sociedade em que a política está presente em cada momento da vida cotidiana – da fila do SUS à possibilidade de ter transporte público urbano gratuito, das vagas nas creches a oportunidades de cultura e lazer – é fundamental perguntar: o que acontece quando falta jornalismo? A resposta é direta: sem jornalismo, a democracia se enfraquece.

O jornalismo, mais especificamente no âmbito político, não trata apenas sobre a cobertura de eleições, disputas partidárias ou escândalos protagonizados por parlamentares e chefes de Executivo. O trabalho jornalístico, principalmente quando bem feito, é uma lente pela qual as pessoas podem enxergar o funcionamento do Poder Público. É ele quem ilumina os bastidores das decisões que impactam vidas, fiscaliza mandatos e traduz debates para que qualquer cidadão possa compreender e participar. E não, o jornalismo não é algo imparcial. Qualquer estudante de graduação dessa área aprende isso, nos primeiros meses de curso, ainda durante as disciplinas mais teóricas.

Em tempos de mídias sociais cada vez mais acessíveis pelos próprios mandatários – que investem, por sua vez em assessorias para profissionalizar essa presença on-line – a ausência do jornalismo político e bem fundamentado pode abrir espaço para boatos, “verdades distorcidas” e interesses privados – muitas vezes, sob impulsionamento financeiro empregado para que aquele conteúdo seja visto por mais pessoas.

Esse contexto de jornalismo enfraquecido é ainda mais cruel fora dos grandes centros, nos municípios interioranos: em cidades pequenas, a ausência de veículos comprometidos com o próprio ofício jornalístico permite que prefeitos e vereadores atuem longe dos olhos da comunidade. Projetos de lei são, muitas vezes, aprovados e sancionados sem muitos questionamentos, direitos são violados em silêncio e vozes divergentes são silenciadas por decisão político-midiática.

Defender o jornalismo político, então, é defender o direito de saber. É entender que a imprensa, na maioria das vezes, pode sim incomodar, aprofundar e investigar, não sendo apenas um “megafone” daquilo que é dito por porta-vozes do poder.

Em um tempo em que as múltiplas vozes das redes podem parecer abafar o silêncio das antigas e lendárias redações jornalísticas esvaziadas, é preciso reafirmar: o jornalismo político não é luxo. É necessidade democrática. E sua ausência tem um preço alto demais para ser ignorado.

Aguardemos o passar dos dias…


Imagem de destaque: reprodução / banco de imagens – Freepik

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