“EU QUERIA ACOMPANHAR O FUTEBOL LOCAL, MAS NÃO PRETENDIA TRABALHAR COM JORNALISMO”: CONHEÇA RODOLFO SILVA

Ana Julia Barbosa, Lívia Fernandes,
Rafaela Andrade e Yanni Santana

Rodolfo Silva chegou ao jornalismo com os pés nos campos do interior mineiro. A paixão pelo futebol veio depois da infância. “O primeiro jogo que eu vi na vida foi o Inter e Barcelona, final do Mundial de 2006”, conta. A partir dali, não largou mais. A Copinha no começo do ano seguinte só confirmou o que viria depois: o futebol seria mais que um passatempo.

Natural de Itumirim, cidade de pouco mais de cinco mil habitantes, Rodolfo encontrou no futebol local um espaço de descoberta, aprendizado e criação. Quando se mudou para São João del-Rei, dividia casa com um amigo que era assessor de imprensa do Figueirense, um clube da cidade. A convivência o levou, quase sem querer, à beira dos gramados. “Eu queria acompanhar o futebol local, mas não pretendia trabalhar com jornalismo. Aí ele me colocou pra fazer cobertura, apoiar ele lá, e aos poucos eu fui pegando”, relembra.

Na época, Rodolfo cursava História na Universidade Federal de São João del-Rei, curso escolhido por ele devido a sua identificação com a disciplina e por estar alinhado ao seu desejo de contar histórias.

Aos poucos também foi nascendo o AlternaFut, projeto de jornalismo esportivo alternativo e independente criado em 2017. O Alterna nasceu para falar do futebol dos pequenos, dos clubes que ainda não entraram nos mais conhecidos. “Eu sempre quis ter esse jornalismo independente. Acho que é paixão pelo futebol e pelo jornalismo mesmo”, reflete.

Dois anos após se formar em História, no ano de 2020, iniciou o curso de Comunicação Social – jornalismo, na mesma instituição, realizando assim o sonho de narrar as histórias de pessoas comuns do cotidiano e de se aprofundar no jornalismo esportivo.

O jornalista conta que a rotina de cobertura é puxada, muitas vezes solitária. Ele cuida das redes sociais, escreve boletins, entrevista técnicos e jogadores, vai aos jogos, edita textos e os posta. “Levava um bloquinho, uma agenda assim, ficava até nos lances lá… Colocava o cronômetro pra rodar assim que o juiz apitava”, pontua. Assim construiu boa parte das coberturas que fez, principalmente antes de qualquer transmissão estar disponível.

Primeiras credenciais do AlternaFut como imprensa (Foto: Yanni Santanna)

Ao longo de sua trajetória no AlternaFut, ele entendeu e reforçou a importância de suas fontes, que já considera amigos e pessoas de confiança. Ele também destaca o valor da ética no relacionamento com elas: “com a fonte eu tento ser muito ético, assim, eles pedem off e eu deixo o off mesmo. […] Você não vai queimar a fonte, o cara pode ser até demitido”.

Rodolfo ainda orienta os futuros jornalistas sobre a necessidade do contato pessoal no jornalismo esportivo. Para ele, a proximidade é fundamental: “se você quer trabalhar com esportivo, vai presencial, faz contato, conversa, pega o WhatsApp, vai trocando ideia com as pessoas”. Embora as novas tecnologias ofereçam comodidade por meio de entrevistas virtuais, ele ressalta que as melhores conversas e informações surgem diretamente do campo.

Entre momentos difíceis, críticas e coberturas, há também espaço para emoção. Uma das histórias que mais o marcou foi a de Zanini, um garoto de 13 anos da base do Athletic, que chamou atenção do grupo City e acabou indo para o Bahia. “O pai dele ficou numa alegria imensa que fiz a matéria dele, que dei destaque no filho dele”, lembra. Até hoje, segundo Rodolfo, eles mantêm contato. “Ele é grato por mim. E eu só fiz a matéria”, afirma.

Apesar de todo o envolvimento com o jornalismo independente, Rodolfo atualmente trabalha na equipe de assessoria da UFSJ, universidade em que se formou, mas não esconde o desejo de um dia trabalhar dentro de um clube. “Quero viver essa emoção, de vibrar, falar: fiz parte dessa história”, defende.

Mas sabe que esse passo exigiria mudanças: “tenho uma consciência de que não tem como eu seguir fazendo esse trabalho crítico se for pra uma assessoria.”


Edição: Najla Passos e Arthur Raposo Gomes

Imagem de destaque: arquivo pessoal

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