ARTIGO: JUVENTUDE À MARGEM: A FALTA DE ESPAÇOS EM SÃO JOÃO DEL-REI

Amanda Vitória

São João del-Rei, conhecida por sua rica herança histórica e cultural, enfrenta desafios significativos quando se trata de oferecer suporte adequado à sua juventude. A escassez de políticas públicas e programas direcionados aos jovens tem contribuído para um cenário preocupante de vulnerabilidade social entrelaçado ao aumento da criminalidade entre adolescentes.

A cidade, que todos os dias recebe de braços abertos inúmeros turistas de diversos lugares do Brasil, peca quando o assunto é o cuidado com seus moradores mais jovens, visto que aqui possui poucos locais gratuitos para diversão e entretenimento: esta parte da população carece de centros culturais, esportivos e de lazer que atendam suas necessidades. A ausência desses espaços limita as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, deixando muitos deles sem alternativas construtivas para ocupar seu tempo livre, desta forma, ficam passivos a fatores externos.

A falta de perspectivas e de ambientes saudáveis para socialização tem levado parte da juventude a situações de risco. Sem acesso a atividades culturais, esportivas ou educacionais no contraturno escolar, muitos jovens ficam expostos a influências negativas, aumentando a probabilidade de envolvimento com a criminalidade. Embora não haja dados específicos disponíveis para uma pesquisa mais aprofundada, relatos da comunidade e de autoridades locais indicam uma preocupação crescente com essa questão. Ao acompanhar os principais portais de notícias da cidade, nota-se que muitos delitos cometidos, tem a participação de jovens entre 15 e 24 anos, furtos, tráfico de drogas e infrações de trânsito são os principais.

O Papel da Sociedade e do Poder Público

É imperativo que tanto o poder público quanto a sociedade civil se mobilizem para reverter esse quadro. A implementação de políticas públicas que priorizem a criação e manutenção de espaços destinados aos jovens é fundamental. Além disso, parcerias com organizações não governamentais e o setor privado podem viabilizar projetos culturais e esportivos que ofereçam alternativas saudáveis e educativas.

Iniciativas como a da ONG Nova Geração Brasil, que atua no bairro Residencial Dom Lucas, evidencia o impacto positivo que o acesso à educação e à cultura podem ter na vida de indivíduos em situação de vulnerabilidade. Projetos semelhantes, voltados para a juventude em geral, poderiam contribuir significativamente para a redução da criminalidade e promoção da inclusão social.

Outra organização sem fins lucrativos que atua na cidade é a Central Única das Favelas (CUFA), que promove diversas ações em prol de fortalecer e proporcionar

cultura, educação e esporte para crianças e adolescentes. Sarau literários, biblioteca comunitária, festival cultural são promovidos pela instituição.

São estes exemplos a serem seguidos e que precisam ser incentivados e apoiados pelo poder público: são crianças e adolescentes juntos em seu tempo livre colocando em prática sua criatividade e conhecimento. São estas ações que geram mudanças neste nosso triste cenário que vem corrompendo nossos jovens.

A juventude de São João del-Rei necessita urgentemente de atenção e investimentos que proporcionem oportunidades de desenvolvimento e integração social. A criação de espaços públicos adequados e a implementação de programas direcionados aos jovens não são apenas medidas preventivas contra a criminalidade, mas também investimentos no futuro da cidade. É responsabilidade de todos — governo, sociedade civil e iniciativa privada — unir esforços para construir um ambiente onde os jovens possam crescer com segurança, educação e perspectivas promissoras.


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Edição: Arthur Raposo Gomes


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