ARTIGO: REDES SOCIAIS, DESINFORMAÇÃO E EDUCAÇÃO MIDIÁTICA – UM DESAFIO PARA A DEMOCRACIA EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO

Giulianna Andrade

Com o passar do tempo, a internet tornou-se um dos maiores protagonistas na construção de opiniões públicas, transformando-se em um dos principais campos de disputa ideológica. Apesar das redes sociais desempenharem um papel central na formação de senso crítico, elas também consolidam um espaço propício para a disseminação de desinformação.  A velocidade com que as informações são compartilhadas e a falta de checagem pelo público contribuem para a polarização e para a manipulação das narrativas sociais e políticas. Nesse sentido, a educação midiática surge como uma ferramenta essencial para lidar com o bombardeio informacional de modo criterioso, responsável e consciente.

Segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial, a desinformação é uma das maiores ameaças globais para 2025. Por meio de fake news e campanhas orquestradas, grupos conservadores e extremistas têm usado as redes sociais para descredibilizar instituições, criar instabilidade social e promover ideologias antidemocráticas. É aqui que a educação midiática surge como uma resposta necessária. Ensinar a população a identificar fontes confiáveis, questionar narrativas enganosas e compreender os algoritmos que amplificam esses discursos é uma forma de fortalecer a democracia e promover um debate mais equilibrado.

Nesse sentido, o Brasil ocupa uma posição preocupante nesse cenário. Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o país é um dos que mais sofre com notícias falsas, tendo 57% dos entrevistados com dificuldades em distinguir sátiras de mentiras. Essa vulnerabilidade expõe não apenas a fragilidade educacional, mas também a ausência de políticas públicas que priorizem o letramento digital e midiático.

Tendo isso em vista, é preciso ensinar indivíduos a avaliar e utilizar o conteúdo de forma crítica, transformando-o em conhecimento real e confiável. Conforme argumenta David Buckingham, pedagogo e especialista em educação, mídia e comunicação, as habilidades necessárias para navegar no ambiente digital vão além da recuperação de informações. No contexto brasileiro, a educação midiática nos currículos escolares é uma forma de capacitar as próximas gerações a resistirem à manipulação digital e a questionarem as narrativas que consomem.

Entretanto, a responsabilidade não pode recair apenas sobre a educação formal. É urgente que as plataformas digitais assumam um papel mais ativo no enfrentamento à desinformação, promovendo maior transparência em seus algoritmos e investindo em ferramentas que limitem a disseminação de conteúdos enganosos. Da mesma forma, os usuários têm um papel crucial: o consumo e o compartilhamento consciente de informações devem ser práticas cotidianas. Questionar fontes, verificar fatos e refletir sobre o impacto de cada clique são atitudes simples, mas essenciais, para transformar o ambiente digital.

O desafio imposto pelas redes sociais e pela desinformação não é apenas uma questão tecnológica, mas uma ameaça real à democracia e à coesão social.  Portanto, educar as próximas gerações para serem consumidores do ambiente digital com segurança e discernimento é um investimento para a democracia e para o fortalecimento social como um todo. A educação midiática, aliada à responsabilidade individual e corporativa, é o caminho para fortalecer a sociedade contra as narrativas extremas e construir um espaço público mais saudável, onde a informação e o debate contribuam para solucionar as problemáticas atuais.


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Edição: Arthur Raposo Gomes

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