Danielly Palmiro
A posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, reacendeu discussões intensas sobre os rumos da política americana. Em seus primeiros dias no cargo, o presidente emitiu uma série de ordens executivas que já sinalizam retrocessos em áreas como imigração, meio ambiente, direitos civis e relações internacionais. Essas ações refletem um governo voltado para o isolamento e para a reafirmação de uma agenda autoritária, colocando em xeque valores democráticos fundamentais e a credibilidade global dos Estados Unidos.
Entre os atos mais polêmicos de sua gestão inicial está a aprovação, pelo Congresso dos EUA, da primeira lei anti-imigração desde sua posse. A medida, que endurece os critérios de entrada no país, visa restringir ainda mais a imigração legal e permitir deportações em um prazo mais curto para aqueles que não atendem aos novos requisitos. Essa lei foi amplamente celebrada por aliados do presidente como um “avanço na proteção das fronteiras” e criticada por organizações de direitos humanos, que a classificam como uma violação da dignidade dos imigrantes e um ataque direto às comunidades mais vulneráveis. Enquanto Trump celebra a aprovação como uma vitória política, o impacto dessa lei tende a agravar as tensões sociais e a marginalização de milhões de pessoas.
No âmbito ambiental, Trump reafirmou sua posição negacionista ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, repetindo uma estratégia de seu primeiro mandato. A justificativa apresentada foi de que o acordo prejudica a economia americana ao favorecer países como a China, que, segundo ele, “não cumprem sua parte”. Essa visão não só ignora a urgência da crise climática global, mas também desconsidera a responsabilidade histórica dos EUA como um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Enquanto o mundo avança em direção a um futuro mais sustentável, Trump opta por um retrocesso, colocando interesses econômicos imediatos acima da sobrevivência do planeta.
Outro ponto crítico foi a assinatura de ordens que restringem o reconhecimento de identidades de gênero, limitando o conceito apenas ao masculino e feminino, além de eliminar programas voltados para a diversidade. Essas ações representam um ataque direto à comunidade LGBTQIA+ e às conquistas sociais obtidas nas últimas décadas. Ao adotar medidas que promovem a exclusão e a intolerância, Trump não apenas desrespeita direitos humanos básicos, mas também envia uma mensagem ao mundo de que a diversidade não é bem-vinda sob sua administração.
No cenário internacional, as exigências do presidente também provocam preocupação. Trump solicitou que os países membros da OTAN aumentem seus gastos com defesa para 5% do PIB, um aumento significativo em relação ao acordo atual de 2%. Embora a proposta esteja alinhada com sua retórica de “America First“, ela pode gerar tensões entre aliados históricos, desestabilizar relações diplomáticas e desviar recursos que poderiam ser investidos em áreas prioritárias, como saúde, educação e combate às desigualdades sociais.
Essas ações iniciais do novo mandato de Trump refletem não apenas sua visão de mundo, mas também a continuidade de um projeto político que visa desmontar avanços progressistas em escala global. O presidente aposta em medidas que reforçam o isolacionismo, o autoritarismo e a rejeição ao multilateralismo. Em um momento em que o mundo enfrenta crises interconectadas — da emergência climática às desigualdades sociais —, a postura de Trump não só isola os Estados Unidos, como também ameaça enfraquecer os esforços coletivos necessários para enfrentar esses desafios.
Diante disso, cabe à sociedade civil americana, e à comunidade internacional, manter-se atenta e combativa. A defesa de valores como igualdade, justiça e cooperação global nunca foi tão urgente. Trump pode ter iniciado seu mandato com decisões controversas, mas o futuro dos Estados Unidos e do planeta depende da capacidade de resistir a esses retrocessos e de lutar por um mundo mais inclusivo e sustentável.
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Edição: Arthur Raposo Gomes
